[1] Sempre quando vou para o
exterior, principalmente para países “mais desenvolvidos”, o que mais me impressiona
é a questão da segurança. Fico maravilhado com o simples ato de poder andar,
por exemplo, com o celular na mão sem muita preocupação pelas mais “sinistras e
escuras” ruas, sem temer bicicletas vindo na minha direção e coisas do tipo
(quem mora em São Paulo sabe que bicicletas viraram a principal “ferramenta”
para roubos de celulares, portanto algo a ser bastante temido).
[2] A segurança pública no
Brasil, é chover no molhado dizer, é uma catástrofe. As causas dessa catástrofe
e como tentar resolver o problema é uma das grandes questões do cotidiano que
costuma separar o que é geralmente chamado de “esquerda” do que é chamado de
“direita”. É comum, por exemplo, entre não esquerdistas, a piadinha do ladrão
“vitima da sociedade” para caçoar da suposta visão defendida por esse primeiro
grupo. Com esse texto eu não pretendo expor nada muito detalhado sobre as “duas”
visões extremas nesse assunto, mas só para localizar os menos chegados no tema,
basicamente um lado defenderá que bandidos são “produto/consequências de
problemas da nossa sociedade”, como desigualdade, pobreza etc.. e são, digamos,
meio que “levados” a seguir o rumo que seguiram. Disso seguiria a conclusão de
que prender, por exemplo, não ajudaria muita coisa. Seria necessário corrigir
esses “problemas estruturais” para solucionar realmente a questão. Por outro lado,
o pessoal mais refratário e oposto a essa visão, dirá que o principal problema
é uma junção de “valores morais” corrompidos / errados, com penas/punições
muito frouxas ou pouco aplicadas. Eu
particularmente acho que os dois lados têm um pouco de razão nas fontes do
problema. Já na solução, a esquerda costuma errar completamente, um pouco
derivado do problema de não conseguir identificar corretamente o que acaba
favorecendo a violência, embora esteja em alguns aspectos na direção correta.
[3] Neste texto eu pretendo
discutir brevemente a visão, normalmente mais associada à esquerda, de que a
violência geral (essa violência do cotidiano, roubos, furtos, assassinatos
etc..) é um problema resultante principalmente de desigualdades sociais ou, em
uma versão “mais light” e menos conflituosa, da pobreza. O texto não vai tratar
de corrupção, desvios de dinheiro público, propina, “crimes do colarinho branco”
etc.. embora muita coisa dita sobre essa violência do dia a dia brasileiro
sirva para explicar também esse tipo de crime.
[4] Antes de entrar diretamente
nas visões que eu chamo aqui “de esquerda”e são o tema desse texto, deixe-me
apresentar um pouco do que eu considero um arcabouço básico para analisar essa
questão da violência: teoria econômica ou basicamente a teoria das escolhas ou
dos incentivos, como o leitor preferir. Em 2013, eu escrevi um longo texto
explicando de forma mais detalhada a maior parte do que direi nas linhas que
segue. Para quem se interessar, recomendo a leitura,
eis
o texto.
[5] Primeiro, como estamos
tratando de seres humanos, cometer um crime é um ato “voluntário/consciente”,
ou seja, uma escolha. Fazendo um parênteses “meio filosófico” aqui, muitos
esquerdistas já rejeitam isso de cara, alegando que o sujeito cometeu um crime
porque “não tinha opção”, foi “levado a isso”, é culpa do ambiente em que vive
etc.. Eu vou discutir um pouco mais a frente a questão do “não ter opção”, mas
quando falo em escolha aqui, o que quero dizer é que, obviamente, por menos
opções que alguém tenha, sempre existem duas, pelo menos: fazer X ou não fazer
X. E dado que seres humanos são seres “conscientes”, com livre arbítrio,
cometer um crime, mesmo que no mais profundo desespero, não deixa de ser uma
escolha, um deliberado ato visando determinado objetivo, dado que nenhuma força
sobrenatural pega o corpo de ninguém e move esse corpo para cometer um crime. O
ato é um deliberado ato consciente do próprio sujeito.
[6] O problema aqui é que se
criou uma espécie de “dualidade” entre os conceitos de “escolhas” e “ambiente”
que na verdade não faz muito sentido. Não existe um conceito de “escolha puro”,
uma escolha dissociada do conteúdo mental que um indivíduo forma, inclusive com
os dados do ambiente em que ele está inserido. Um indivíduo escolhe entre
alternativas e essas alternativas são dadas pela sua avaliação mental dos dados
que recebe do “meio externo”, do seu ambiente. Não existe uma “escolha”
independentemente, à parte, dessas variáveis. A escolha é em relação a essas
variáveis, justamente pautadas pelas percepções e valorações desses contextos. Não
existe algo como uma escolha no vácuo, dissociada de todo o resto. Quando
usamos a palavra “escolha” aqui, todas essas considerações estão sendo levadas
em conta e não haveria como ser diferente, dado que estamos tratando de uma
entidade (um ser humano) que existe, tem uma dada natureza e vive, portanto,
age e escolhe, em um determinado mundo/ambiente.
[7] Voltando a questão econômica,
dos incentivos, como toda alternativa escolhida, alguém só a escolhe porque
espera de antemão que o beneficio seja superior ao custo. O “menininho” só
passa voando com a bicicleta para dar o bote no seu celular porque ele espera
levar um celular (beneficio) sem ser pego, levar um tiro, morrer atropelado na
fuga etc.. (custo). O mesmo vale para um assassino que rouba e mata a vitima. O
beneficio de roubar é o bem roubado, o de matar, talvez uma probabilidade maior
de não ser pego (menos testemunhas disponíveis), enquanto o custo é o risco de
acabar sendo preso, condenado ou até mesmo morto na ação.
[8] De certa forma, portanto, de
um ponto de vista estritamente econômico, de teoria de escolha, a “conta mental”
que leva alguém a ser um criminoso é a mesma que leva alguém a ser médico ou
engenheiro: o sujeito tem ou espera um ganho liquido (benefícios descontados os
custos) nessa área maior, cometer crimes no caso, do que teria em qualquer
outra. Aqui, obviamente, podem entrar as
considerações de cunho moral que o pessoal “de direita” levanta como causas da
criminalidade. Geralmente nos é ensinado que “roubar é errado” – essa é talvez
a norma ética mais básica e essencial da civilização – logo um celular obtido
via fruto de roubo tem um “valor” menor do que um obtido através do seu próprio
trabalho, para uma pessoa de boa moral. O “custo” de roubar também não é só o
risco que a pessoa correu, mas também considerações sobre a falta de
nobreza/moralidade do ato em si. Quando
há uma falha na criação da pessoa, seja por questões relacionadas á famílias
problemáticas, por falta de educação de outro adulto, influências ruins etc..
esses pesos morais podem ser mais fracos ou mesmo não estarem presentes. Logo,
mantido tudo o mais constante, uma pessoa sem esses freios morais comparada a
outra com tais freios, teoricamente, diante dos mesmos incentivos apresentados,
entraria “mais facilmente” para a vida de crimes.
[9] Dito isso, toda a analise que
se segue assumirá que a “questão da moralidade” será mantida constante entre os
grupos de pessoas envolvidos. Como enfatizado no começo do texto, estamos
lidando com seres humanos, não com pedras, logo todo ato é uma escolha. Um
sujeito pode estar morrendo de fome, em extrema pobreza, e, mesmo assim, não
vai roubar nem um pão que uma velhinha de 90 anos deixou cair e nem percebeu.
Por outro lado, um sujeito bem rico, que sempre teve tudo do bom e do melhor,
pode roubar ou “tacar fogo” em alguém por aí (como já aconteceu, inclusive).
Escolhas, novamente enfatizando isso, dependem de como avaliamos as
alternativas e essa avaliação, substancialmente, depende fortemente dos nossos
valores, da nossa visão de mundo etc.. E esses elementos mentais / psicológicos
são dificílimos de medir “a priori”. Infelizmente, ou felizmente, nós não temos
como “ler a mente” das pessoas.
[10] Então, dentro desse contexto
da teoria da escolha aplicada aos crimes, vamos analisar os argumentos
envolvendo a questão da pobreza e da desigualdade apresentados normalmente
pelos esquerdistas. Primeiro, acho perfeitamente “aceitável”, teoricamente, a
tese de que pobreza tende a favorecer a criminalidade (novamente, mantido tudo
o mais constante). E a razão é simples: se o sujeito é pobre, isso significa
que o ganho liquido dele nos mercados “legais” é baixo. Como é baixo, a chance
do retorno no mercado “ilegal” ser potencialmente atrativo em termos relativos
é mais alto. Por exemplo, se eu ganho “liquido” R$40.000 por mês, roubar um
celular traz um retorno ridículo (quanto vale um celular de procedência
duvidosa no mercado cinza?) e um risco substancialmente alto (eu posso perder o
meu emprego de r$40.000 por mês se for pego). Eu teria que roubar coisas muito
maiores ou ter uma verdadeira gangue de ladrões de celular para compensar todo
esse risco. Veja que para o mercado ilegal de roubo de celular começar a ser
atrativo para mim eu teria que “investir” muito nele (e não só comprar uma
bicicleta velha e sair por aí dando uns botes em celulares). Mas, se eu ganho R$600,00 por mês, bem, as
coisas começam a monetariamente se tornarem interessantes. Talvez uns 3
celulares roubados a cada 2 dias, passe a compensar o risco e os R$600 reais
que perderei se for pego. Isso obviamente não significa que quem ganha R$600
reais vai sair por aí roubando celular. Como já foi explicado, há muitas outras
considerações em relação as escolhas que uma pessoa faz, como a questão da
moral, por exemplo e mesmo a percepção de cada um sobre riscos. Um ponto a se
considerar é que aqui nós já conseguimos perceber um problema das soluções para
o problema da criminalidade que os esquerdistas costumam defender. Eles
geralmente são contra as penas e defendem que o problema deve ser atacado na
base, ou seja, se é a pobreza (ou desigualdade, vou falar depois disso), nós
temos que atacar esses problemas. No entanto, as penas e a efetiva punição do
crime são sim importantes, pois elas elevam o custo esperado de se entrar para essa
vida e consequentemente diminuem o retorno relativo dos crimes, em comparação às
demais atividades legais.
[11] A questão de atacar as bases
do problema falo mais adiante, antes vamos passar para o segundo motivo/causa
para violência segundo a esquerda (esse, inclusive mais fortemente defendido
por eles), o maior de todos os males e causador de 11 entre 10 problemas: a
desigualdade social. O argumento de que desigualdade social causa violência tem
como base, normalmente, o seguinte: uma sociedade desigual dificulta o acesso a
oportunidades para todos (ou pior ainda, restringe as oportunidades), o que nos
leva à causa anterior – as pessoas não terão como sobreviver/viver dignamente
do seu trabalho/esforço (serão pobres) e tenderão a partir para o crime. É bom
lembrar que como estamos falando em desigualdades, em “ricos x pobres”, os
esquerdistas costumam ter “sonhos molhados” com isso e a imaginação para teses
nessa área voa: “os pobres vão tomar a força o que é seu por direito”, “a
violência nada mais é do que a concretização da luta de classes – pobres
tomando, via força, aquilo que lhes foi tirado através da exploração do
capital” etc..etc.. o acaba levando, do outro lado, a famosa piadinha do
“bandido vitima da sociedade só descontando o que fazem de mal com ele”.
[12] Primeiro, o pessoal de
esquerda tem uma visão completamente errada sobre desigualdade social: o que
gera isso, as consequências e o suposto mal que ela traria. Uma sociedade extremamente
desigual pode ser muito mais rica em oportunidades (e rica mesmo em bens) que
uma sociedade igualitária e o mundo está repleto de exemplos disso. Por
exemplo, em 2014, segundo o Banco mundial, o Afeganistão tinha um índice de
Gini entre 25-30, bem menor e, portanto, indicando mais “igualdade” que os EUA
(que estava na faixa dos 40-45 pontos). Alguém acha que o Afeganistão tem mais
oportunidades que os EUA? Que a “mobilidade social” no Afeganistão é maior que
nos EUA? Se, por exemplo, uma sociedade qualquer, com população estável, que antes
produzia 100 unidades de algo, sendo que 10 ficavam com 90% da população e 90
ficam com 10%, passasse a produzir 1000 unidades, sendo que 50 ficam com 90% da
população e 950 ficam com 10%, certamente a desigualdade pioraria muito
(considerando a metodologia normalmente aceita), no entanto, nenhum dos grupos
estaria pior, muito pelo contrário, ambos os grupos teriam mais bens, estariam
mais ricos. Existe uma visão de esquerda de que economia é um jogo de soma
zero, que se alguém ficou mais rico, outro necessariamente tem que ficar mais
pobre. Não existe, para eles, produção, criação de valor, de bens. Se a
desigualdade aumentou, então quer dizer que daquele bolo fixo dado, que nunca
cresce na visão deles, os ricos “tomaram” a “fatia” dos pobres, o que não
necessariamente é verdade e, pode-se dizer, é completamente e sempre falso em
um sistema de livre mercado, com direitos de propriedade corretamente definidos
e respeitados. Só para ficar no nosso exemplo, a desigualdade cresceu muito e a
renda do pobre foi multiplicada por 5!!! O crescimento da renda dos mais ricos
não teve nada a ver com “tirar”, “tomar” dos mais pobres.
[13] Portanto, a relação entre
desigualdade e falta ou dificuldade de oportunidades, de “crescer na vida” não
é necessariamente verdadeira. Ela será verdadeira para um tipo particular de
desigualdade, que os esquerdistas na sua completa ignorância em relação à
economia, não conseguem distinguir da desigualdade benéfica gerada no processo
de produção e trocas: a desigualdade “externa” ao mercado, externa às ações
voluntárias entre proprietários, aquela desigualdade gerada pela intervenção do
governo na economia, justamente para proteger algum grupo já estabelecidos, de
novos concorrentes, dos “entrantes”. Aliás, é justamente daí que vem a enorme
desigualdade que temos no Brasil.
[14] Explicando rapidamente não
há nada problemático na desigualdade gerada dentro de um sistema de livre
mercado: se alguém produz algo super desejado pelas pessoas, que facilita muito
suas vidas é ótimo que essa pessoa ganhe muito mais do que quem não fez nada
disso. Esse é o incentivo básico do desenvolvimento humano, que fará todo mundo
na face da terra querer criar algo útil e produtivo e não coisas destrutivas e inúteis.
Querer cortar isso é querer acabar com a civilização e com qualquer padrão de
vida mínimo acima dos animais irracionais. Essa desigualdade, na verdade, é uma
“benção”. Algo completamente diferente é aquela desigualdade gerada por
transferências fora do mercado, transferências geralmente obtidas no “mercado
politico” através de proteção, subsídios, regulações etc.. Ao contrário da
primeira desigualdade (a de mercado) que é gerada e estimula o desenvolvimento,
a produção de cada vez mais valor e, portanto, bem estar, essa segunda
desigualdade é o produto justamente da destruição, da interrupção desse
processo: esses privilégios estatais visam evitar que novos concorrentes, que
novos agentes de mercado façam algo melhor ou diferente do que o grupo já
estabelecido vem fazendo e ganhem a preferência dos consumidores. Veja que a
desigualdade é um “produto” dos dois mecanismos (na verdade no caso do livre
mercado, ela pode ser um produto, não necessariamente será), mas no caso das
intervenções do governo ela é justamente oriunda daquele processo inicial
terrível descrito pela esquerda como sendo “capitalismo”: o governo, tirando a
força, de um grupo menos poderoso politicamente (geralmente os mais pobres),
para dar a outro mais poderoso politicamente (grupos mais ricos, organizados
etc..). Aquele processo de “distribuição de renda ao contrário” que a esquerda
descreve como sendo o que ocorreria em um livre mercado, na verdade é o que
ocorre no âmbito das politicas públicas, de governo e são essas politicas que
destroem, sim, as oportunidades, elas são feitas para isso (embora não seja
dito explicitamente isso).
[15] Assim, voltando a questão da
violência, sim, essa desigualdade produzida pelo governo, por suas politicas de
restrição ao livre mercado, a livre concorrência, favorecem a violência, pois
elas diminuem o retorno do “setor produtivo” e legal da economia. No caso
brasileiro é pior ainda, pois além das intervenções pesadas na economia, nós
temos a trágica “guerra às drogas”. Isso torna o “setor produtivo legal”
relativamente bem menos lucrativo do que o “setor ilegal das drogas”, já que
como é proibido, você cria uma espécie de reserva de mercado para os
“porra-locas”, “violentos” que se aventuram por ele (meio que como uma seleção
adversa), garantindo altos retornos para esse “grupo pequeno” e violento, ao
mesmo tempo que corta o retorno ao grande público, principalmente os mais
pobres, dos setores legais através de regulações e reservas de mercado.
[16] Aliás, aqui chegamos ao
ponto principal: não é que a desigualdade em si gera violência. O que gera
violência é a alteração, via essas politicas de restrição de mercados, para o
grande público, dos retornos relativos das ações consideradas legais (que se
tornam pouco lucrativas) vis-à-vis as ações ilegais (os crimes). Para ficar
mais claro, um simples exemplo recente: Uber. Todos sabemos a crise que se
passa atualmente no país. Se o sujeito ficasse desempregado, ele poderia
simplesmente pegar o seu carro “velhinho” e virar motorista do Uber, sem muita
burocracia, apenas se cadastrando no app e passando pelo processo de
certificação do próprio Uber. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura está
prestes a baixar uma série de exigência que tornam o processo mais demorado e
bem mais custoso (o talvez carro “velhinho” do nosso exemplo, pode inclusive
não servir mais).
[17] Esse é só um exemplo de como
o setor legal vai se tornando cada vez menos acessível e custoso, o que vai
eliminando a participação justamente dos mais pobres, do sujeito do exemplo que
ficou desempregado e não pode ficar gastando recursos em licenças, novas
carteiras de motorista, trocar de carro porque o seu já tem mais de 5 anos (idade
limite exigida na nova regra). São oportunidades que o governo, e não o
mercado, destroem e deixa em aberto, como única salvação, o caminho para
economia informal (que não deixa de ser “ilegal”) ou mesmo atividades ilegais
mesmo (roubos, vendas de drogas etc..). As pessoas que são mais pobres não
possuem condições para arcar com o “bilhete de entrada” do mercado legal/formal
que o governo cada vez mais fecha para segurar a posição e os ganhos de quem já
está lá, estabelecido. Esse é um incentivo perverso espalhado por toda nossa
economia, um verdadeiro câncer que nos causa o problema da
pobreza/subdesenvolvimento, da desigualdade (cada vez a pessoa vai ficando
“mais para trás”, o pedágio a ser pago para entrar no mercado formal é cada vez
mais alto e restritivo) e da violência (trabalhar “dentro da lei” é cada vez
menos lucrativo, com menos opções, dadas as regulações, tornando a taxa de
retorno relativa dos mercados ilegais cada vez mais alta).
[18] A esquerda, portanto, está
relativamente certa em apontar que a pobreza favorece o crime (novamente aqui,
tomando o cuidado de ressaltar que essa é uma das variáveis e não a única),
está “quase certa” em apontar que a desigualdade favorece o crime (como
explicado, não é a desigualdade em si, são certas politicas de intervenção do
governo na economia que favorecem a criminalidade tornando os setores legais,
principalmente para os mais pobres, relativamente bem menos lucrativos que os
setores ilegais e essas mesmas politicas geram desigualdade porque elas
garantem a renda dos já estabelecidos tirando ou dificultando a vida dos
“novos”, dos mais pobres que precisam tentar algo novo, criar novas coisas,
novos negócios etc.. justamente porque são pobres e precisam produzir mais,
conquistar seu espaço)
[19] Se na causa da violência, o
pessoal de esquerda, “arranha” uma resposta com elementos na direção correta,
mesmo que pelas explicações erradas, em relação ao “que fazer então”, temos um
verdadeiro desastre. Para começar, a idéia de que penas e punições não afetam
negativamente o crime não tem o mínimo sentido lógico e nem empírico. As
punições (e sua efetiva e correta aplicação) são um meio de tornar a atividade
criminosa menos atrativa. Obviamente, existem uma infinidade de problemas
práticos a serem resolvidos no Brasil para implementação de um sistema
eficiente de punições (a começar pela própria eficácia da policia em resolver
os crimes, a própria quantidade de crimes que não deveriam ser crimes como
venda de drogas etc..), mas isso não significa que aumentar penas e a
eficiência dos processos legais que levam um criminoso a ser punido não é uma
politica na direção correta (diminuição de crimes e violência), embora com
efeitos de longo prazo.
[20] Segundo, a idéia de somente atacar
a suposta causa dos crimes (pobreza ou desigualdade na visão deles) vem sendo
um verdadeiro desastre porque eles não entendem o que gera riqueza e o real
problema por trás de certas (e não todas) desigualdades. Como não entendem a
origem do problema (falta e não excesso de livre mercado), a solução costuma ser
errada e só acaba reforçando as mesmas politicas que geram toda essa tragédia: por
exemplo, partidos de esquerda foram a favor da continuidade de taxas de juros
subsidiadas do BNDES a grandes empresários, são os principais defensores de
regulações dos tais “novos setores da economia” como Uber, Airbnb etc.., são os
principais opositores de se reformar uma previdência que só é acessível, antes
da idade mínima, a classe média e a funcionários públicos, são contrários a
privatização de universidades públicas que na grande totalidade abrigam filhos
de classe média e rica enquanto os mais pobres pagam a conta e não tem nem
saneamento básico, são os primeiros a defenderem sempre alguma restrição a
entrantes em qualquer mercado, sempre defendendo filiação à sindicato, órgão de
classe etc..etc.. enfim, dentre outras medidas que certamente não favorecem uma
sociedade mais produtiva e de mais oportunidades para, principalmente os mais
pobres que não tem capital para arcar com essas exigências, regulações etc..
[21] Como resultado final das
idéias de esquerda, nós temos politicas econômicas que tornam os setores legais
“proibitivos” economicamente para os mais pobres e ainda favorecemos o retorno
dos setores ilegais com um sistema de punições que não consegue (e não quer) punir
crime algum. É o pior dos mundos e, acho, ajuda a entender a catástrofe que
temos atualmente no Brasil.