sexta-feira, 29 de maio de 2009

Boas reflexões de dois mestres

Quem me conhece, principalmente da faculdade, sabe que eu sempre tive (e tenho) enorme simpatia pelo liberalismo “a la Chicago”, que, simplificadamente, consiste em uma defesa do livre mercado (capitalismo) baseada na boa e velha análise de custo –beneficio, respaldada normalmente por análises econômicas de altíssimo nível. Geralmente Chicago é mal vista por liberais mais “hardcore” da Escola Austríaca ou por “liberais-filósofos”, normalmente jusnaturalistas e objetivistas. Nunca me importei muito com isso. Quem realmente me convenceu que o liberalismo era algo que merecia ser defendido foi Milton Friedman (mestre maior de Chicago) e não John Locke, Adam Smith, Hayek ou Ayn Rand.

Outro autor “chicaguiano” que sempre teve minha atenção foi Gary Becker. Ele é uma espécie de Ludwig Von Mises (talvez o maior de todos os mestres) de Chicago. Digo isso porque assim como Mises, Becker é um entusiasta da idéia de que o campo da economia é a ação humana, as escolhas humanas em todas as áreas (e não somente temas “convencionais” como política monetária, ações envolvendo compra e venda de carro, feijão, casas etc..). Becker desenvolveu trabalhos fantásticos usando a teoria econômica para falar de casamento, fertilidade, educação e, na experiência que considero mais frutífera, crimes e punições.

Ele tem um blog excelente junto com outro autor (também muito bom) que só descobri mais tarde chamado Richard Posner. Posner é um jurista, também de Chicago, que usou e “abusou” de teoria econômica para falar de leis, crimes, justiça etc.. e acabou “erigindo” um campo inteiro de economia chamado “Law & Economics”. Assim como Becker, Posner também é um defensor dos mercados (embora talvez um pouco mais light). Estou falando tudo isso, porque eles têm discutido no blog o que aconteceu com o “conservadorismo” americano (que para nossos padrões de nomenclatura ideológica seria uma espécie de “liberalismo clássico”) e, mais diretamente, os caminhos que o Partido Republicano (representante dessa corrente nos EUA), tem tomado. Os textos são bem interessantes e geraram reações, digamos, apaixonada de conservadores que lêem o blog (muito provavelmente a maioria dos leitores).

Como o blog não permite links diretos para os textos, me resta deixar o link do próprio blog (que também está na lista de recomendados) e o nome dos textos, que no presente momento, ainda aparecem na primeira página. São eles:

The Serious Conflict in the Modern Conservative Movement (Gary Becker)

Is the Conservative Movement Losing Steam? (Richard Posner)

Conservatism II (Richard Posner)

The Conflict in Modern Conservatism Once Again (Gary Becker)

Além da discussão sobre os rumos do partido republicano e do conservadorismo (para os autores o partido e os conservadores em geral deveriam retomar a tradição clássica americana de defender um governo limitado e mercados livres – enfim, olhar com desconfiança para o governo), os textos também contêm as posições deles sobre aquecimento global, aborto, gays no exército e outros temas que acabaram se tornando (erroneamente) temas centrais do conservadorismo nos EUA atual. Vale a pena a leitura.

Eu confesso que fiquei um pouco “deprimido” lendo esses textos. É nessas horas que vemos o quão negro é o nosso presente e futuro. Lá nos EUA você tem intelectuais de alto calibre discutindo (e criticando) os recentes devaneios intervencionistas do principal partido político do país (junto com os Democratas), pedindo aberta e escancaradamente que retornem às suas origens, que retornem à defesa da “tradição americana”, ou seja, do liberalismo / capitalismo. Aqui no nosso pobre país, temos que conviver com PSDBs e PTs da vida... temos que aturar esquerdistas chamando o PSDB de “neoliberal” e o DEM de “direita”. Temos que pedir quase “desculpas” por defender o mérito, a competição, mercados, por defender lucros... Isso para não falar dos “grandes” intelectuais, que em 99% das vezes, só abrem a boca para pedir mais governo ou debater sobre a influência de Marx (ou outro socialista famoso) em algum lugar (tema) que você nem sabia que existia.

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