sábado, 21 de março de 2009

Sobre a queda da SELIC

Para os que perguntaram, achei um erro a queda da taxa SELIC em 1,5% na última reunião do COPOM. Não há sinal de que a inflação ficará abaixo da meta (incluindo o limite inferior) que justifique tamanha queda. O real motivo da queda foi teoria econômica errada: a idéia de que a política monetária deve (e pode) servir de instrumento de fomento ao emprego e ao crescimento em momentos de crise. Política monetária pode e deve controlar a inflação. Deve ter como único objetivo a meta de inflação. Ela não tem impacto em variáveis reais (se for prevista) e, no caso de não ser prevista, o suposto impacto, é passível de bastante discussão (por exemplo, a própria politica monetária expansionista pode ser a causa, ou agravar, a crise).

Mas há um erro fundamental mais grave ainda – a de que o governo é quem determina a taxa de juros, um fenômeno puramente monetária, não gerado pela preferência intertemporal dos agentes e que pode ser extinta (ou levada para qualquer lado) aumentando/diminuindo a quantidade de moeda. A razão de (ou motivação para) tal erro está em outro erro mais básico ainda: achar que juros são um empecilho ao crescimento, que é necessário acabar com esse obstáculo para crescer. Em um texto chamado “Mais um pouco sobre juros, investimento, inflação...” eu expliquei como uma simples queda de juros não pode gerar mais investimentos, logo não pode gerar mais crescimento se não há mais oferta de bens para investimentos (poupança). É como fixar o preço da Ferrari em R$40.000,00 e achar que com isso mais gente terá Ferraris (e o duro é que alguns acham que realmente funciona assim!). Juros é um preço de extrema importância – governa as alocações de bens e serviços intertemporalmente, determina qual a combinação ótima entre bens futuros (investimento) e bens presentes (consumo). Não é um “estorvo” a ser varrido do mapa pelas "benevolentes" ações dos governantes de plantão.

Enfim, a queda foi um erro, como vem sendo a política monetária de uma infinidade de países mundo afora (os EUA, por exemplo, é um dos campeões das trapalhadas). O surpreendente foi que o Brasil, quem diria, até que demorou a cair no mesmo erro. Espero que não tente voltar ao posto de campeão como já fez tantas vezes no passado quando o assunto é politica monetária.

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