terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Produtividade marginal, salários e quem produz o que

[1] Domingo passado, 25 de Janeiro, a cidade de São Paulo completou 455 anos. Este texto não é dedicado à São Paulo ou seu aniversário. O ocorrido serviu apenas de “inspiração”. Mas devo dizer, antes de entrar no tema principal, que no fundo é um dos poucos feriados deste país que realmente me orgulham. A cidade de São Paulo (e o estado de uma maneira geral), foi durante muito tempo uma espécie de “ilha de capitalismo” em um mar de intervencionismo (obviamente quando falo em capitalismo aqui é dentro dos padrões tupiniquins ou algo mais “pragmático”). Foi e ainda é, uma espécie de “sonho americano” brasileiro, onde pessoas de várias partes do mundo (e depois do próprio Brasil) vieram tentar uma vida melhor e às custas de muito trabalho construíram uma vida digna. É a história americana e seu legado de liberdade para o mundo em uma escala bem menor, mas ainda assim o é. A terra que abre as portas para todos, que deixa as pessoas prosperarem, construírem em paz uma nova vida. Foi assim com italianos, japoneses, espanhóis e depois com nordestinos. Só para constar, o outro feriado que me orgulho é o famoso 9 de Julho, um feriado paulista – quando o estado iniciou sua luta armada contra um dos governantes mais nefastos que este país já teve: Getúlio Vargas.

[2] Mas porque falei sobre o aniversário de São Paulo? Justamente porque sempre nessa época, discute-se toda uma história de trabalho e de construção de uma verdadeira metrópole por gente de todo tipo. Vira e mexe as discussões acabam em coisas do tipo: “os construtores de São Paulo foram os operários que ergueram esses prédios, essas fábricas e as botaram para funcionar depois”. Há uma glamorização de um certo tipo de trabalho que contribui para equívocos gigantescos. A glamorização do trabalho “manual”, da força em detrimento de trabalhos mais intelectualizado, trabalhos que usam a mente como principal recurso, trabalhos esses muitas vezes bem pouco compreendidos. Tudo isso remonta a uma velha discussão em economia que ficou conhecida como “teoria da distribuição”. Os “primeiros” economistas entendiam a recém criada ciência econômica como sendo uma ciência da distribuição, uma forma de determinar o que cabia a quem. Apenas mais tarde a distribuição acabou ganhando um papel “secundário”.

[3] Quando a economia abandonou as teorias de valor objetivo e passou a se pautar pelo marginalismo subjetivista de Menger, Jevons e Walras, a “solução” para a questão da distribuição acabou sendo derivada do principio central do marginalismo e deixou de ocupar o posto de “centro das atenções”, embora em discussões políticas ela nunca tenha saído do palco, muito por causa da insistência de alguns em continuar se baseando em noções erradas quanto ao valor econômico (isso na melhor das hipóteses). Deixe-me esclarecer como a distribuição é vista pelos economistas ortodoxos modernos: basicamente, em linhas gerais, tudo se resume na proposição de que os fatores de produção serão remunerados de acordo com a sua produtividade marginal. É a aplicação do principio marginalista, que inicialmente foi utilizado para determinação do preço dos bens de consumo, na questão da produção e da troca de fatores de produção. Para os não economistas, a palavra “marginal” em economia significa basicamente “um pequeno acréscimo” ou quando a base sobre esse acréscimo é suficientemente grande, uma unidade a mais. Existe uma abordagem que considero mais interessante (austríaca) que considera o marginal como a “unidade relevante para uma dada ação, uma dada escolha”. Falarei um pouco mais dessa questão do marginal mais à frente, agora o interessante é saber que marginal quer dizer exatamente “um pouquinho a mais”, “na margem”.

[4] Os economistas, na imensa maioria das aplicações, consideram a produtividade marginal de um fator como sendo positiva, ou seja, um pouco a mais desse fator aumenta a produção, porém decrescente (aumenta, mas aumenta menos do que o aumento do fator, ou seja, a relação não é 1 para 1). Existem muitas razões para considerar as coisas dessa maneira, mas a que me parece mais razoável é a própria idéia de escassez: quanto mais fatores utilizamos na produção de X mais X temos, diminuindo nossa utilidade marginal de X, mas menos Y teremos elevando a nossa utilidade marginal de Y, ou seja, para cada Y perdido em troca de X, nosso valor atribuído ao primeiro aumenta (como abrimos mão disso, é um custo), enquanto o valor atribuído ao segundo, o X, diminuí. O “valor” que obtemos é cada vez menor e custa cada vez mais.

[5] Tudo isso parece muito abstrato, mas vamos a um exemplo que todo adolescente mais “politizado” alguma vez já deu como exemplo de injustiça do capitalismo (e infelizmente, continuam dando já com 60 anos nas costas). Veja um “pobre” metalúrgico da Mercedes-Benz. Ele produz Mercedes que valem R$300.000,00 e ganha R$1000,00 por mês (um metalúrgico ganha mais que isso, mas não é relevante desde que seja bem menor que R$300.000,00). Como isso pode ser justo? Bem, aplicando o que já foi dito, a primeira grande falha é não aplicar o conceito de marginalidade: 1 trabalhador adicional da Mercedes-Benz não produz um Mercedes. Ele aperta alguns parafusos, hoje em dia alguns botões, mas nada que possa ser chamado de “produzir” um Mercedes. O Mercedes que sai da empresa é produção de um conjunto de fatores de produção resumidos basicamente em trabalho "comum", capital (as máquinas que fazem várias coisas quando o botão é apertado, os bens de consumo e de capital que alguém poupou e permitiu construir a fábrica, as maquinas, além de permitir desviar trabalho da produção de algo como “comida” para fazer toda essa corrente de produção que acabou em um belo carro sem que ficassemos sem comida) e o projetista da Mercedes (que é um tipo de trabalho diferente e muito mais relevante que o trabalho "comum" do operário).

[6] Tudo isso pode ser resumido na pergunta, por quantos reais eu consigo alguém a mais para apertar um botão (simplificando a coisa) na fábrica toda construída e projetada exatamente para fazer aquela Mercedes? Essa é a escolha e esse será o salário de um metalúrgico em um mercado livre. É inútil considerações bizarras do tipo: ora, tire todos os operários da fábrica e veja quantas Mercedes saem dela. Ela é válida para qualquer fator de produção ou mesmo para os supostamente “inúteis capitalistas” (senão fosse, tal “coisa” não seria escassa, não faria parte de nenhuma preocupação humana). Tire as máquinas da fábrica e veja quantos Mercedes sairão. Tire o trabalho de todos os projetistas e veja que espetáculo de carro será produzido (talvez algo próximo de um Gurgel). Tire a poupança e o capital do capitalista e veja que fantástica fábrica os operários montarão. A escolha entre “todos os operários” ou nenhum não existe no mundo real, nenhuma demanda ou oferta é tomada com base nessas considerações. A pergunta correta a ser feita é: por quanto alguém apertaria o botão para ligar a maquina? Esse alguém aceitará uma quantia X se essa quantia for maior que qualquer outra quantia que ele pode obter fazendo outra coisa. É o valor, é a produção que ele “adiciona” à economia, o seu produto marginal.

[7] Porque um Bill Gates ganha uma fortuna e um varredor de rua muito pouco? Porque o que o Bill Gates faz só ele (e alguns poucos) conseguem fazer. Contar ou não com o Bill Gates na empresa faz uma brutal diferença (a Microsoft que o diga). E o varredor de rua? Qualquer um com duas pernas e dois braços (a ampla maioria dos seres humanos), consegue varrer uma rua. Pode achar algo horrível, cansativo, degradante, mas consegue fazer sem problemas. O que gente como Bill Gates, Steve Jobs ou algum empresário de sucesso fez ou faz pouquíssimos conseguem fazer. Pessoas como eles são “fatores de produção únicos”, especiais, fatores de produção que geram uma altíssima produtividade marginal. Os donos de capitais adorariam que eles usassem seu capital nos seus empreendimentos, porque eles sabem o que fazer para gerar rendimentos altíssimos, portanto pagam muito para que isso ocorra. Obviamente peguei dois extremos, há muitos tons de cinza entre Bill Gates e um varredor de rua, mas o principio é o mesmo.

[8] Voltando a São Paulo, quando você vê um arranha-céu, para você, o prédio foi produto de operários que subiram nas alturas, colocaram tijolo por tijolo ou de algum arquiteto e engenheiro brilhante? Obviamente, assim como a Mercedes, ele foi produto da combinação de todos esses fatores, mas certamente um único operário não fez quase nada perto do, por exemplo, projetista do prédio. O produto adicionado ao prédio do projetista (seu produto marginal) é muito superior ao de qualquer operário. Por isso o projetista recebe o que recebe. O motor do capitalismo e de todo o nosso avançado padrão de vida não é fruto de operários. É fruto de empresários, inovadores, grandes mentes que em um ambiente de relativa liberdade podem produzir, colocar seus planos em prática. Na prática, as tais “pessoas que produzem” não produzem, individualmente, quase nada. Seus produtos marginais são baixíssimos comparados ao de empreendedores e inovadores. Eles fazem aquele tipo de trabalho que “qualquer um faria”. Quem não faz, não faz porque pode ganhar muito mais fazendo outra coisa (é por isso que o empreendedor não vai trabalhar de gari, no lugar, talvez invente uma vassoura automática ou vassouras padrão bem mais baratas).

[9] Tudo o que foi dito vai completamente contra certos chavões, principalmente da esquerda em relação aos “trabalhadores” e a injustiça do capitalismo. Um metalúrgico, na verdade, está bem longe de produzir uma Mercedes, assim como um pedreiro está a anos-luz de construir um arranha-céu. Ao contrário do que também é “senso-comum”, apesar do baixo salário que tanto o pedreiro e o metalúrgico recebem, não é por causa dos altos salários dos projetistas, do empreendedor que isso ocorre. Pelo contrário, os altos rendimentos pagos a essas pessoas capazes geram um incentivo para que elas usem essa capacidade. Fazendo isso, elas permitem um melhor uso exatamente daqueles fatores de produção menos produtivos. Esse melhor uso eleva também o rendimento desses fatores. Simplificando, é graças ao Bill Gates que popularizou os computadores com seu Windows que alguém que estaria varrendo ruas pode montar uma lojinha para vender computadores ganhando muito mais do que se varresse ruas (e ainda usar o computador na lojinha sem nenhum treinamento relevante). A não compreensão de fatos básicos como esse, relativos à “distribuição” gera verdadeiros desastres.

[10] O desastre vem porque a não percepção do que gera uma dada distribuição nos leva a mexermos “arbitrariamente” no seu resultado final. A situação é pior ainda, como no caso de marxistas e socialistas, quando se vê a distribuição resultante como inerentemente “injusta” de acordo com um principio largamente correto e usado por quase todo mundo, no caso, o de que “quem produz, leva”. O trabalhador produz a Mercedes, logo é ele quem deve ter a Mercedes. O princípio é correto, o erro está na economia, ou melhor, em identificar o fato básico de que não é “o operário” que produz a Mercedes. Esse erro é pior ainda quando envolve o capitalista, seja no papel de capitalista clássico como fornecedor de poupança, seja como empreendedor.

[11] A tentativa de tirar do individuo com alta produtividade marginal para o indivíduo com baixa produtividade, só gerará desincentivos para que os mais habilidosos, os inovadores usem sua capacidade. As altas e, para alguns, “pornográficas” remunerações de alguns, são o incentivo básico para que esses habilidosos façam melhor que qualquer outro concorrente. E isso beneficiará enormemente os menos habilidosos. Basicamente não existe forma de elevar salário sem que a produtividade marginal suba. A maioria das políticas governamentais com essa intenção, falham. Mas mesmo assim, tal falha, não impediu historiadores e até mesmo economistas de contarem uma história completamente equivocada sobre como os salários foram elevados para níveis jamais sonhados à dois séculos atrás. Quem de nós nunca ouviu as terríveis histórias da revolução industrial, sobre mulheres trabalhando 16 horas em locais desumanos, salários “de fome”, “semi-escravidão” etc.. Os esquerdistas usam a precariedade das condições da revolução industrial para dizer: olhe como é o “laissez-faire” no mercado de trabalho! Salários de fome, altas jornadas de trabalho! E para piorar quando perguntados porque não é mais assim respondem algo do tipo: porque os trabalhadores através de sindicatos, partidos políticos conseguiram impor políticas que os favoreceram como leis trabalhistas regulamentando as relações de trabalho.

[12] É um exemplo típico de explicação para um fenômeno econômico que desconsidera completamente a teoria. A idéia por trás é sempre a de tirar de quem ganha muito, para dar a quem ganha pouco. A verdade é que a Inglaterra “camponesa”, pré-revolução industrial era miserável. Assim como toda Europa não conseguia escapar do que ficou conhecido como “armadilha Malthusiana”. A produtividade não crescia em ritmo suficiente para “alimentar” uma população crescente e o ajuste do desequilíbrio era feito via diminuição da população até que a baixa produtividade disponível conseguisse parcamente manter a sobrevivência dos restantes. Por razões ainda bastante estudadas, a Inglaterra começou um lento processo de respeito cada vez maior a direitos de propriedade e liberdade econômica. A liberdade econômica, de trocas e produção, aos poucos deixou aflorar a capacidade dos mais inteligentes e hábeis. Um processo de poupança coordenado por um sistema financeiro relativamente avançado, amparado sob regras mais claras que em qualquer parte da Europa gerou o boom de crescimento que mais tarde ficou conhecido como “Revolução Industrial”. Com novos bens de capital, construídos graças à essa poupança, os salários nas novas industrias explodiram. Os camponeses que tinham uma baixíssima produtividade marginal no campo migraram em peso para as cidades em busca dos tais salários baixíssimos na indústria (para os nossos padrões), mas bem mais altos do que o campo rendia naquele período.

[13] As décadas seguintes, sob a égide de um respeito cada vez maior aos direitos de propriedade, um padrão-ouro que fornecia uma moeda estável, a Inglaterra e posteriormente a Europa viveram um período de forte crescimento que acabou transformando a armadilha malthusiana em episódio de livro de ficção cientifica. Bastou deixar que os habilidosos e produtivos usassem suas habilidades para que o mundo mudasse drasticamente. Bastou isso para que os menos habilidosos deixassem de ser exterminados pela fome, para constituírem uma vasta “classe” que ganhou mais tarde o nome de “proletariado”. Como disse certa vez Hayek, economista austríaco, Marx estava certo em dizer que o proletariado era uma classe restrita ao capitalismo, um produto do capitalismo, pois, segundo o austríaco, sem o capitalismo os “proletários” teriam morrido de fome. A tão malfadada revolução industrial foi o começo dessa explosão de produtividade que fez um operário médio de um país capitalista, viver hoje muito melhor do que faraós jamais sonharam. Os baixos salários (mas já mais altos que qualquer rendimento trabalhando no campo) foram tão somente o resultado dessa condição inicial em que a produtividade do trabalho, dado o pouco capital disponível, era baixa. Conforme mais capital foi acumulado, a produtividade passou a subir. Um trabalhador era capaz de produzir muito mais que 100 trabalhadores a 50 anos atrás. Isso elevou o preço do trabalho, liberou trabalhadores para mais investimentos em fabricas, novas tecnologias, novas maquinas em um circulo virtuoso de aumento de produtividade e crescimento.

[14] Não foi nenhuma política “redistributiva”, nenhum sindicato ou luta trabalhista que fez os salários e as condições da revolução industrial mudarem. Foi o crescimento da produtividade coordenada por empreendedores, seja da tal “economia real”, seja do mercado financeiro, foi o mais puro livre mercado em ação. As políticas trabalhistas e os sindicatos, com suas restrições a liberdade econômica, com o desrespeito a propriedade, foram na verdade os vilões que retardavam o crescimento da produtividade e dos salários. Fora da Europa, os movimentos nacionalistas locais, tanto na América Latina quanto em países africanos, na Índia que viam na presença de indústrias e propriedades estrangeiras sinais de exploração, de “imperialismo”, fizeram o papel anti-crescimento dos sindicatos. Em todo o mundo somente a Inglaterra cresceu com poupança própria. Todo o resto da Europa e os EUA usaram poupança externa, poupança inglesa. Isso só foi possível devido ao respeito cada vez maior à propriedade e o conseqüente estabelecimento de um sistema financeiro sólido e confiável como nunca tinha se visto. Os países da África, a Índia e a América Latina se negaram a fazer isso. Viam com maus olhos. Aquela velha praga que nos assola até hoje, achar que o país rico é rico porque explora os pobres, que colocar indústrias, capitais aqui era explorar!

[15] Durante o século XX as visões erradas sobre o que gerou o crescimento econômico do ocidente só pioraram. Os marxistas e simpatizantes passaram a falsificar a história de forma mais ostensiva. No sul, eles não se cansaram de escrever sobre como o norte rico explorava o sul pobre (e só por isso era rico, numa espécie de “luta de classes norte x sul”). O resultado foram movimentos políticos bizarros como o peronismo na Argentina, o getulismo no Brasil, campanhas histéricas do tipo “o petróleo é nosso”, estatizações em massa e outras maravilhas como protecionismo desenfreado que habitaram o hemisfério sul com certo destaque para nosso pobre continente. Nada disso beneficia trabalhador algum. O protecionismo só eleva o preço de produtos nacionais, importados e impede a alocação de recursos naquilo que o país tem vantagem comparativa mantendo assim a produtividade baixa. O trabalhador é punido duas vezes: tem que comprar “carroças” bastante caras e ainda recebe menos do que receberia em um país mais aberto, com capitais estrangeiros entrando, fatores de produção alocados corretamente etc.. São consequencias desastrosas como essas que tem origem em erros básicos de economia como a questão da remuneração, da distribuição e do papel do habilidoso, do empreendedor.

[16] Os socialistas passaram o século XX destruindo a figura e a importância de empreendedores, capitalistas e pessoas mais habilidosas em geral, que se destacavam no mercado e ganhavam muito mais que os tais operários. Para eles “ser operário” e “ser empresário” era uma questão de privilégio apenas. Qualquer um poderia sê-lo, por isso era um “privilégio” de X ser empresário e rico. Não era fruto de trabalho, habilidade, decisões acertadas. Era fruto de exploração! Até hoje usamos expressões como “os privilegiados da sociedade”, os “favorecidos”, para nos referirmos a pessoas que ficaram ricas em um mercado livre (ou “menos favorecidos” para os pobres). Todas as fortunas do mundo, todas as histórias de sucesso passaram a ser caluniadas, manchadas para mostrar o quão terrível e exploradores foram esses homens que ficaram ricos. O mérito, a responsabilidade por fazer algo extremamente benéfico, foi varrido(a) do mapa. Um país rico é rico porque explorou o pobre. Fulano ficou rico porque roubou de sicrano, explorou beltrano etc.., não porque produziu algo que todos queriam, não porque tornou sonhos em realidade. Toda a atmosfera moral reinante nos nossos tempos foi fruto dessa construção socialista - da moral dos direitos sociais (direito a escola, saúde, educação, emprego, salário etc..etc..) até a transformação da “desigualdade social” em um câncer a ser extirpado. Tal erro não saiu impune. Custou milhões de vidas literalmente, além de miséria e pobreza. E infelizmente, parece que vai continuar custando, porque, apesar de tudo, o erro continua presente.

6 comentários:

André Silva disse...

Richard,

vou te elogiar primeiro para derrubar suas defesas e depois te criticar para você chorar.

Você tem um gosto bom para pizza, gosta de futebol e conhece teoria econômica. Ficou feliz?

Quanto ao texto, eu concordo com seu ponto, mas achei ele muito confuso. Parece que alguma esquerdinha veio te encher o saco, você ficou irritado e resolveu escrever um texto regado a ironias mal contextualizadas.

No parágrafo 3, por exemplo, parece que você percebeu que ficou confuso e teve preguiça de revisar. Ai, no final, você manda um "Falarei um pouco mais dessa questão do marginal mais à frente". Só faltou um "o leitor atento deve ter percebido que".

Note que eu sou o caso clássico de "quem não sabe ensina", mas eu estava com tempo livre e gosto de te cutucar.

Vamos comer uma pizza?

abs

Richard disse...

Eu sempre tenho preguiça de revisar e sempre algum esquerdinha vem me infernizar...hehehehe

Quanto a volta do tema da produtividade marginal concordo q ficou meio como "promessa não cumprida"... mas até a parte da revolução industrial, o texto só fala disso (apesar de não dizer explicitamente q está usando o conceito x ou y de produtividade marginal)

Ah, e não seja tão ranzinza... só pq seu timeco vai ter q se contentar com 1 copinha junior não é motivos p/ tanto rancor no seu coraçãozinho... talvez vcs façam um milagre e vençam a copa do brasil (vc achou que eu ia dizer "emagrecer o ronaldo"?... não, isso nem deus faz)

Fábio disse...

Olá, Richard. Estava estudando alguma coisa sobre teoria da justiça, e comecei a pensar em como deveriam ser as relações trabalhistas. E acabei concluindo algumas idéias que me choracam inicialmente, como a ilegitimidade do salário mínimo, e que um salário ideal seria algo próximo do adicional de produção representado pelo funcionário à empresa. Pesquisando na internet se isso existia, cheguei no seu post sobre produtividade marginal (aliás, parábens pelo blog; saiba que ganhou um leitor assíduo!). Mas me surgiram algumas dúvidas.

Esse conceito é algo aplicável? Quero dizer, como se poderia calcular a produtividade marginal de um funcionário. Existem áreas onde o cálculo seria mais fácil, como é o caso de vendas e finanças, mas difícil em outras, como recursos humanos e informática.

Que argumento você teria para sustentar que as empresas realmente aceitariam pagar algo próximo da produtividade marginal, se revistos certos custos trabalhistas?

Quais fatores seriam descontados desse valor de produtividade? Quero dizer, o valor todo não seria passado ao funcionário. Seriam incluídos fatores como prêmio pelo risco do negócio que o empresário assume, e retorno sobre o investimento na contratação num fator a mais de produção (ou esse retorno viria na produção final da empresa, e então esse desconto seria legítimo, não sei)? Como funcionaria isso?

Se você puder esclarecer esses pontos para tornar o conceito de produtividade marginal mais concreto...

Fábio disse...

Mas escuta, Richard. E a oferta e demanda? Isso também não influencia os salários? Como ficaria a consideração da produtividade marginal? Desculpa pelo incômodo com dúvidas juniores. =D

Richard disse...

Fábio,

Se você se refere a produtividade marginal como o valor que determinado fator adiciona a produção da empresa (também em termos de valores monetários), então, sim é possível e qualquer empresa faz (ou tenta meio que no feeling) fazer isso ao contratar um funcionário. Para o próprio funcionário e agentes externos já é um pouco mais difícil, mas em mercados concorrências isso fará pouca diferença (explico depois).

Agora se quando você fala em produtividade marginal você retirar qualquer referência a valores monetários e tenta mensurar por “unidades de bens”, aí realmente a coisa fica “imensurável” porque você não tem uma unidade comum para comparar Mercedez com computadores ou com serviços financeiros e mesmo se tivesse (talvez principalmente por esse motivo) olhando para um Mercedez vc não consegue partir ela em “um pedaço produzido pelo capital”, outro pedaço produzido pelo trabalho etc.. e mesmo se conseguisse, pedaços de Mercedez separados não tem valor algum (ou teriam um valor muito pequeno comparado aos “pedaços” integrados na Mercedez), logo não serviriam para mensurar a produtividade marginal do fator. Essas questões foram pontos de debate no começo dessa teoria porque ela diz que a remuneração real (poder de compra) do fator será equivalente ao produto marginal do fator, aí alguns partiram para tentativas de mensurar a produtividade marginal a parte de valores monetários para fazer verificar a teoria.

Sobre custos trabalhistas, a empresa, em geral, não “pagará a produtividade marginal” do fator, porque, na prática, a produtividade marginal dele não é a que seria sem impostos (ele produz R$500,00 mais a empresa tem que pagar R$50,00 por “usar” ele, logo na verdade são R$450,00). Só em casos extremos, como por exemplo, oferta de trabalho infinitamente elástica, a empresa pagaria a produtividade marginal integral + impostos. Nos casos comuns, a empresa e o funcionário “distribuem economicamente” o real pagamento de impostos (sobre quem vai arcar o maior peso, dependerá das elasticidades da oferta e demanda do fator). Para mais detalhes procure por manuais de microeconomia nos capítulos sobre impostos (esses manuais geralmente tem capítulos sobre teoria da produção com uma exposição mais detalhada dessas teorias marginalistas tbm)

Fatores de riscos, na prática, diminuem a produtividade marginal esperada, logo diminuem o salário. Por exemplo, uma mulher que se ficar grávida tem que ficar em casa por 3 meses recebendo salário. Nos 3 meses, simplificando que ela entra ou não grávida em t0, o salário dela em equilíbrio seria 0,8*pmg +0.2*(-pmg) – supondo que a probabilidade de estar grávida é 20%. Esse seria o salário dela (menor que o de um homem para a mesma função, por exemplo).

Richard disse...

Por fim, sobre demanda e oferta, a questão da produtividade marginal está diretamente ligada a isso. Imagine que um trabalhador adicional tenha produtividade marginal (pmg) = 500,00. Uma empresa vai contratar esse trabalhador por R$200,00. Mas outra empresa também sabe que ele tem pmg=500, logo ela oferta R$250,00. Outra tbm sabe, então ele oferta R$350,00 e por ai vai, até se chegar ao R$500,00. Veja, que basta as empresas saberem da pmg que o salário, justamente pela demanda x oferta, vai para a produtividade marginal. É como quando você vai comprar algo que acha que vale R$600,00. No máximo você paga R$600,00.... se os preços forem flexíveis, muito provavelmente ou você pagará $600,00 ou pagará, digamos R$400,00mas comprará mais de forma que a ultima unidade valha para você exatamente R$400,00. Isso também vale para o mercado de trabalho. Demanda x oferta trabalham para levar o salário ao ponto que iguala a produtividade marginal. Se sal menor q pmg, trabalhadores serão contratados de forma que o sal subirá e a pmg cairá até se igualarem. Se pmg menor sal, trabalhadores serão demitidos até os salários caírem e a pmg subir (se igualando). Nesse processo, tenha em mente que a pmg é positiva, porém decrescente no numero de trabalhadores (tipo uma curva de demanda em relação ao eixo da quantidade).

Se é a “primeira vez” que você toma contato com essas questões de produtividade marginal e salário (e não entendeu muito bem essas coisas de pmg positiva, mas decrescente), para deixar as coisas mais claras é bastante recomendado ler o capitulo sobre o assunto de um bom manual de microeconomia (pode ser básico), para pegar os conceitos centrais

Enfim, é isso. Espero ter esclarecido alguns pontos e obrigado por ler o blog