sábado, 1 de novembro de 2008

Todo apoio ao republicano John McCain

[1] Como fez nas eleições municipais, este blog “toma partido” também em relação à eleição presidencial americana. Não poderia ser diferente, ainda mais na eleição onde é costume os órgãos de imprensa (e esse é um mega órgão de imprensa) dizerem abertamente quem apóiam, um hábito que talvez viesse para cá se a justiça eleitoral não fosse digna de uma “república soviética”.

[2] Este blog apóia John Mccain, candidato dos republicanos. Principalmente porque ele disputa contra um partido e uma ideologia que representam o veneno mais perigoso anti-liberdade existente no ocidente – o “liberalismo igualitarista” (se podemos chamar isso de liberalismo) derivado de John Rawls, Isaiah Berlin e Ronald Dworkin. Você pode estar se perguntando, mas como assim? O maior inimigo da liberdade não seria o socialismo? Acredito que sim, mas aquele socialismo “hardcore”, que defende a ditadura do proletariado, a revolução sangrenta contra a burguesia, o igualitarismo radical “morreu” ou não atrai muita simpatia mundo afora depois da verdadeira “indústria de terror” produzida no século XX. Só mesmo em DCEs de faculdades de história, ciências sociais e afins ainda encontramos esses “dinos vermelhos” (além de alguns departamentos que sobrevivem graças ao dinheiro de impostos).

[3] A grande ameaça é a moralidade igualitarista / socialista embutida no chamado “liberalismo igualitarista” (ou só liberalismo nos EUA) derivada de uma distorção incrível de conceitos fundamentais. Essas distorções são a bandeira da maior parte dos socialistas atuais. Este blog já publicou textos sobre essas distorções com os conceitos de democracia, liberdade, igualdade de direitos e igualdade de oportunidades. Obama representa a vitória dessa distorção. Ele distorceu até o sentido do famoso “sonho americano”. O sonho americano nunca significou o governo ajudando quem fracassasse, nunca significou o governo eximindo as pessoas da responsabilidade por suas escolhas. O sonho americano significou, vá a luta, trabalhe e vença! Aqui (lá, nos EUA) você terá liberdade para vencer, para fazer o que for melhor para você, para cuidar da sua família e prosperar. Nada absolutamente nada disso tem haver com o governo obrigando as pessoas produtivas a sustentar, a viver em função dos menos produtivos.

[4] Para um liberal (no sentido daqui), os EUA significam muito. Eles foram “fundados” sob o espírito do liberalismo mais nobre: o liberalismo lockeano, com a sua defesa radical e coerente do ser humano, dos seus direitos como ser humano – o direito natural. Os democratas e os liberais rawlsianos (igualitaristas) representam a destruição absoluta desse espírito que, principalmente o americano mais humilde ainda cultiva. É realmente impressionante como o dito povo “inculto” do interior americano, os tais “caipiras” possuem, defendem esses princípios muito mais que a chamada “elite culta” do litoral, das grandes cidades como Los Angeles e Nova Iorque. Mesmo quando eles são taxados como “retrógados”, por exemplo, por serem contra gays ou por serem contra vacinar seus filhos, contra enviarem seus filhos para a escolha, a favor de ensinarem “criacionismo” etc.. eles o fazem pautados em princípios que nenhum liberal poderia negar. Eles não são obrigados a conviver com quem não querem (podem se isolar em comunidades e proibir, boicotar gays). Eles não são obrigados a entregarem a educação dos seus filhos ao governo. Essa gente representa uma resistência ao governo, um sopro de liberdade muito maior que qualquer “pobre” que foi subsidiado pelo governo a vida toda e diz de boca cheia que “venceu”. E pior, que acha que isso é o modo de vida americano, que isso representa os EUA.

[5] Por mais que os EUA tenham se desviado da “utopia liberal” que os founding fathers tentaram construir, os democratas não são a salvação quanto a isso, eles são sim o caminho rumo a transformação dos EUA em uma “Europa”, um continente dominado por políticas anti-liberais, anti-capitalistas e que trouxe, como resultado, apenas sangue e destruição no século XX. Eles (democratas) são a destruição definitiva do “sonho americano”. É por isso que esquerdistas do mundo inteiro adoram os democratas e principalmente, Obama. Porque Obama representa o contrário de tudo aquilo que os EUA simbolizam: a liberdade, o capitalismo. O sucesso absoluto do individuo frente ao governo, a terra que premia o mérito e não o fracasso. Para quem vier me dizer que os republicanos não representam nada disso, eu digo: durante toda história política recente, nenhum partido de destaque representou isso mais do que eles. Mas para efeitos mais pragmáticos ainda, os republicanos representam isso mais do que qualquer democrata.

[6] Vejam por exemplo, o que os democratas costumam defender e a perversidade que isso representa para a causa da liberdade e conseqüentemente para os EUA que simboliza todos os valores fundamentais do ocidente: os democratas adoram falar em “direitos econômicos”, direito a emprego, direito a “salários justos”, são favoráveis a leis trabalhistas rígidas etc.. Tudo muito igual ao que vemos por aqui (aliás, me surpreende ver alguns liberais reclamarem enlouquecidamente dos políticos nacionais que unanimemente defendem essas coisas, mas por outro lado apóiam os democratas ou dizem que tanto faz). Não existem “direitos econômicos”, não existe direito prévio a bens que precisam ser produzidos. Se alguém possui direitos prévios sobre bens que precisam ser produzidos, então alguém deve ser obrigado a produzi-los e fornecer esses bens ao sujeito com o direito. É a negação mais básica do liberalismo: o direito de propriedade sobre si mesmo, o direito de propriedade sobre o fruto de seu trabalho. Os democratas são os grandes propagadores do discurso que transforma “privilégios” em direitos e é tão popular entre intervencionistas de todas as estirpes.

[7] Ninguém pode ter “direito a emprego” sem que alguém seja obrigado a fornecer tal emprego, ou seja, sem que alguém se torne um escravo, viva em função do outro, para sustentar e servir o outro, para satisfazer os fins de outros e não os seus próprios. É impossível existir tais direitos e ao mesmo tempo a liberdade ser preservada, porque liberdade significa justamente ausência de coerção, ausência de ser atacado, de ter a força iniciada contra você e suas propriedades. Obviamente os democratas subverteram completamente o significado de liberdade: liberdade é mandar o filho para universidade, é poder escolher ser lixeiro ou doutor. Obviamente liberdade é isso também, desde que você faça essas coisas com as suas propriedades e não escravizando, roubando os outros. Essas coisas nunca significaram que o governo deve obrigar alguns a fornecerem bens e serviços para outros. Se um pai deseja ver o filho ir para a universidade ele deve produzir e poupar para isso. Não obrigar outro a assumir essa responsabilidade, a fazer isso por ele.

[8] Obama se diz “produto do sonho americano”, um produto que ele quer que seja produzido em um número maior. A única parte em que ele realmente é produto do sonho americano, talvez seja a possibilidade de uma família de imigrantes pobre estar prestes a chegar a presidência da república e mesmo assim tal proposição pode ser bem contestável. O fato de um menino pobre ter chegado aonde ele chegou com ajuda substancial do governo não diz nada sobre o “sucesso” de tal sistema. Se o governo torrar bilhões, talvez possamos construir um elevador até a Lua. Alguns vangloriarão o feito como o “ápice” da racionalidade humana, da civilização etc.. mas no fundo não vai passar de um belo desperdício de recursos. Quantos poderiam fazer a mesma coisa que o Obama faz (supondo que ele seja produtivo de alguma forma) a um custo de investimento bem menor? Nunca e em momento algum o sonho americano significou “vença” às custas dos outros, vença escravizando, explorando os demais.

[9] Mas continuemos. Em um dos debates, Obama disse que era a favor do livre comércio. Como todo mundo que costuma ser contra, ele começa com qualificações do tipo “livre comércio justo”, “livre comércio mais igual” etc.. No caso, ele era “reticente” contra um acordo de livre comércio com a Colômbia porque as leis trabalhistas da Colômbia eram “flexíveis” demais. Um liberal jamais deveria apoiar um candidato de um partido cuja causa da vida inteira foi lutar contra o livre mercado e ainda diz algo desse tipo. Obama, caso a Colômbia tivesse leis trabalhistas mais rígidas, ao assinar o acordo deveria “pressionar” justamente por leis mais flexíveis, não o contrário. Leis trabalhistas além de serem privilégios, um dos tais direitos econômicos que violam a liberdade, não geram beneficio algum para ampla maioria da população, muito pelo contrário, o saldo final é uma perda da produção, desemprego, geração de ineficiências, menor produtividade e conseqüentemente um menor bem estar. Alguém que acha e diz abertamente ainda, para confrontar uma opinião mais pró-mercado, que abertura comercial deve ser feita cautelosamente para “preservar empregos de americanos” é absolutamente “inapoiável”.

[10] Eu poderia ainda citar com mais detalhes a insistência dos democratas em criar um SUS nos EUA, a defesa eterna de subsídios à sindicatos, entidades de classes, a eterna defesa da taxação progressiva, taxação sobre ganhos de capital etc.. mas acho que já é o suficiente como explicação do porque os liberais tem obrigação de combater as idéias democratas e “igualitaristas”. Para quem quiser se aprofundar mais na questão das distorções dos conceitos, sugiro a leitura dos meus textos: Sobre a liberdade, Racismo deveria ser crime?, A Microsoft e a livre concorrência, Sobre democracia e revoltas contra governos eleitos e Greves, sindicatos e afins... Em uma eleição onde um partido se colocou claramente contra “distribuição de renda” via impostos (os republicanos) e outro a favor (democratas), não me parece nenhum pouco difícil escolher. Aliás, quanta diferença para o Brasil. Aqui o “ataque” é acusar o partido de ser contra distribuição de renda e não de ser a favor (como aconteceu nessa eleição nos EUA). Como eu não quero que os EUA virem um Brasil, sou totalmente contrário aos democratas.

[11] Antes de terminar, deixe-me falar sobre os supostos “pecados” dos republicanos que poderiam fazer um liberal não apoiá-los. Aqui é importante lembrar-se do seguinte: a questão não é se os republicanos foram libertarians ou não. A questão é: quem será menos libertarian – democratas ou republicanos. Por menos libertarian que o partido republicano tenha sido nos últimos tempos, os democratas tem como norte do seu pensamento, como “ideologia” algo completamente oposto ao liberalismo (como tentei mostrar nos parágrafos anteriores). As defesas democratas e igualitaristas são “radicalmente”, fundamentalmente contrárias ao liberalismo e seus princípios.

[12] Pelo menos para mim, o maior pecado foram as leis que invertiam ônus da prova, davam poderes fiscalizatórios e “policiais” maiores ao governo (o Patriot Act é o caso mais famoso). Isso não é um problema particular dos republicanos. É algo que os EUA precisarão lidar dada as políticas erradas das duas partes, republicanos e democratas. Por parte dos republicanos, as políticas pró-ataque no oriente médio e por parte dos democratas, políticas mais indiretas, mas com efeitos mais devastadores ainda, como o “welfare state” implementado parcialmente e defendido por eles. Essas políticas, as demais regulações com zilhões de licenças exigidas tendem a engessar o mercado, gerar desemprego e principalmente pressionar as contas do governo através de seguros desemprego, financiamento de saúde, educação, ajudas contra pobreza etc.. Isso já seria um problema, mas os EUA sempre receberam imigrantes do mundo todo, o que torna a situação mais complicada. A soma do welfare com a imigração tende a pressionar ainda mais as contas do governo e, como o mercado de trabalho se torna engessado com as dezenas de regulações, isso torna os ajustamentos mais lentos, gera desemprego e o famoso sentimento “xenófobo” que domina a Europa hoje em dia (justamente por que lá essas duas coisas, welfare e regulação no mercado de trabalho, são bem maiores). Os americanos que perdem empregos e não arrumam outro acabam culpando os imigrantes pela situação e não as políticas anti-mercado do seu próprio governo. Se esquecem, que no passado, os EUA receberam enxurradas de imigrantes e se transformaram na maior economia do mundo. Se esquecem que provavelmente eles próprios, que reclamam contra imigrantes hoje, são filhos ou netos de imigrantes.

[13] O resultado político e prático de tudo isso é o fechamento das fronteiras, a regulação da imigração vinda, principalmente, de países pobres como os do oriente médio. No texto “Sobre Guerras” eu escrevi que a melhor política dos EUA para o oriente médio seria abrir suas fronteiras. Deixar que os “árabes” que quisessem criar suas famílias em paz, escapar do terror dos tiranos que dominam a região, do fanatismo de alguns religiosos o fizessem através de uma vida com liberdade e prosperidade no país que mais propiciou isso ao ser humano. Deixar que os árabes que assim desejam, vivam o verdadeiro sonho americano. Aquele sonho que no passado, milhões de imigrantes tão pobres quanto eles (árabes) viveram. Com a “xenofobia” causada pelas políticas de esquerda baseada no welfare state e na destruição do livre mercado de trabalho, isso politicamente é impossível. As políticas factíveis vão de regularizar imigrantes ilegais (a política que eu tendo a apoiar) á extraditar os pegos. Mas porque eu falei de imigração?

[14] Porque o que gerou todo o anti-americanismo no Oriente Médio tem como uma das causas, a manutenção de árabes que só queriam cuidar das suas vidas, viver bem, no “covio”, sob influência dos fanáticos da região. Essas pessoas recebem a todo momento propaganda, uma visão de mundo distorcida e só conseguem algo a mais na vida (financeiramente) se entrarem para a luta contra o ocidente. A melhor política a ser feita era libertar essas pessoas desse circulo. Existiam em tese duas maneiras: uma, abrindo os EUA para elas. Deixando-as viver sob a liberdade, o capitalismo. E a outra seria destruindo toda essa estrutura presente no oriente médio. Os republicanos, erradamente, mas mais factível politicamente dado o momento, preferiram o segundo. Mas os democratas jamais teriam feito melhor. Eles continuariam destruindo a alternativa 1 com mais welfare state e regulações e continuariam dando dinheiro, negociando com as piores espécies de tiranos, o que tornaria a 2 cada vez mais custosa e “única”.

[15] Voltando ao pior pecado dos republicanos, por mais liberais que eles possam ser (ou não), são políticos, só chegam ao poder se de alguma forma agradar a “opinião pública”. As pessoas nos EUA demandavam “leis perigosas” como o Patriot Act. O país estava assustado resultado da possibilidade de ataques terroristas. Um democrata no poder não faria absolutamente nada de muito diferente e ainda complementaria com alguma “ajuda financeira anti-depressão”, afinal, os mais pobres não teriam dinheiro para comprar antidepressivos ou remédio para dormir. Vale a pena lembrar que vários republicanos se levantaram contra o Patriot Act usando argumentos claramente liberais e que os democratas que também se levantaram contra a lei, o fizeram principalmente porque acreditavam que imigrantes e descendentes teriam direitos violados, o que é uma preocupação legitima, mas completamente contraditório, ilógica vindo de quem veio. Foram eles que criaram nos EUA as políticas que geraram todo esse preconceito radical contra imigrantes (através do welfare state e da regulação da economia), foram eles que deixaram os árabes a mercê da “lavagem cerebral”, da influência direta e absoluta dos tiranos do oriente médio e foram eles que financiaram, através de acordos, negociações a manutenção desses tiranos. São os democratas os maiores defensores da restrição de exploração de petróleo em solo americano, o que justamente eleva o preço do petróleo e ajuda a OPEP a conseguir lucros estratosféricos. Como eles, democratas, não compreendem a causa e o efeito das suas próprias políticas, políticas essas baseadas em distorções fundamentais de conceitos básicos, dificilmente algo de bom e útil viria e virá deles.

[16] Eu fui contra a guerra do Iraque e favorável a guerra no Afeganistão, pois foi um ato de defesa contra a barbárie do 11 de Setembro. Como disse, não acho que seja vantajoso gastar bilhões de dólares para destruir uma estrutura nociva tão enraizada no oriente médio. Além, obviamente dos inocentes mortos nesses conflitos. Mas se os republicanos realmente achavam que isso era possível, não era o Iraque que devia ser o alvo e sim o Irã. Primeiro porque é o Irã o país da região com a cultura mais anti-ocidente e anti-americana. É lá que os tiranos de turbante exercem a sua maior influência. Entre Iraque e Irã, se alguém financiava terroristas, muito provavelmente era (e é) o Irã. Segundo porque o Irã aparentemente está trabalhando em programas nucleares que podem levar à armas de destruição em massa. O Irã não tem o direito de ter essas armas, é um país comprometido com a tirania, não com a justiça. Na verdade, ninguém tem o direito de ter armas nucleares, justamente porque elas não servem para nada a não ser agredir (quem fala que servem para defesa através da ameaça, erra: eu não posso me defender ameaçando matar 400.000 inocentes, isso não é defesa). Mas dado que armas nucleares já existem e alguns as têm, que pelo menos os detentores dessas coisas sejam países fundados sobre princípios mais nobres e justos, com governos mais “comprometidos” com a liberdade e o capítalismo, nunca um Irã e uma Coréia do Norte. Para efeitos práticos, a tentativa desses países em obter armas nucleares é uma agressão à civilização e deve ser respondida duramente. Os democratas são incapazes de fazê-lo e talvez nem cheguem a compreender realmente porque devem fazê-lo.

[17] Por tudo o que foi dito, apóio McCain. Pela manutenção, tímida, mas ainda assim manutenção, da chama da liberdade e da justiça representada por essa incrível nação chamada Estados Unidos da América. Obama significa o oposto, significa a corrosão desses princípios “por dentro”, através do roubo e da distorção desses conceitos. É como um veneno, um corpo estranho que foi constantemente espalhado no ocidente durante o século XX (pelos democratas na América) e que parece estar prestes a vencer a maior resistência, o maior obstáculo a sua vitória: os EUA.

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