domingo, 26 de outubro de 2008

Não ao PT

Com muito pesar, na base do “menos pior”, este blog apóia (e torce para) o Kassab ser reeleito hoje em Sampa. Por dois motivos básicos:

1) É uma forma de evitar que o PT consiga a prefeitura de SP e fique mais forte do que, infelizmente, já é.

2) Eu acredito que se algum dia o Brasil tiver um governo liberal (ou que se aproxime disso), o partido mais “cotado” para ser a fonte desse governo é o DEM e, por isso, apóio um fortalecimento dessa legenda. As esquerdas sempre demonizaram o PFL acusando-o de “coronelismo”, “corrupção” etc.. Quando o assunto é evitar o PT e os partidos mais à esquerda, isso não me interessa muito. Se for verdade, o PT fez pior. Fez “coronelismo” através do bolsa-esmola (sim, “esmola” mesmo, ninguém tem direito aos bens dos outros) e foi fartamente corrupto. Empatou então? Não, as políticas fiscais do PT, a transformação do estado, das estatais em um braço do partido, a influência de economistas como Guido Mantega e Márcio Pochmann e a ideologia que o PT e a trupe da esquerda representam são muito piores que a suposta corrupção e coronelismo do PFL/DEM. Custam ao país muito mais. Fazem um mal muito maior.

Pelo mesmo motivo, evitar o PT, sou Gabeira no Rio. Até com um pouco menos do sentimento “não tem outro, vai esse mesmo”. Primeiro porque o Gabeira defende coisas como liberação da maconha e união civil gay, propostas que eu, como liberal, apóio (são “direitos” de quem deseja fazer essas coisas). Segundo porque, pelo menos aparentemente, Gabeira não fica se gabando (trocadilho horrível, eu sei), do seu passado de esquerdista – fã da ditadura cubana, como fazem os “petistas do alto escalão”. Não há absolutamente nada de errado em lutar contra tiranias (tanto intelectualmente quanto, com o devido “cuidado em relação à inocentes”, com armas). O problema é lutar contra uma ditadura para implementar outra pior (aos moldes cubanos), em nome de uma ideologia assassina como certas figurinhas carimbadas da política nacional e do PT fizeram. Não se elevar à categoria de “herói” ou mesmo de “credor” da sociedade por isso já é uma grande qualidade nos tempos atuais.

Voltando ao Kassab, achei o seu governo horrível, principalmente devido à lei cidade limpa, algo que para mim seria a pior política esperada do PT!!! Minha opinião sobre a lei está aqui. Além disso, Kassab podia ter desregulamentado setores como transporte público, que é um caos em SP, justamente porque, assim como no caso de bananas, leite, balas de morango, aeroportos, estradas etc.. alocar ônibus e linhas sem preços e mercados só gera ineficiência. Ele também poderia ter sido mais radical no seu projeto para “cracolândia” (demolição e privatização), que acredito é o caminho correto para área. Nesse tópico ele vence diretamente a Marta, que além de não querer demolir a cracolândia, insiste na besteira de preservar “patrimônio histórico” (que patrimônio histórico são aqueles prédios da cracolândia?), além de querer transformar o centro velho em uma COHAB gigante (alguém conhece uma COHAB “revitalizada”? Rica, próspera, bonita?).

Em Porto Alegre, sou José Fogaça. Embora ele seja do PMDB (o vice do Kassab também é), partido pelo qual eu não tenho nem a mais remota simpatia, a concorrente (Maria do Rosário) é do PT, que no Rio Grande do Sul mantém firme aquele “socialismo de estudante da década de 60”. O mesmo ocorre em Salvador, espero que João Henrique Carneiro (PMDB) derrote o candidato petista Walter Pinheiro. Já em BH, a coisa está tão feia que nem eu, que sou um dos mais ardorosos defensores do “vote no que é minimamente menos pior”, sei quem apoiar. O PSDB se aliou ao PT e lançou um candidato do PSB! E do outro lado está o PMDB. Sem muita convicção, prefiro o do PMDB (Quintão). Aliás, essa confusão é um pouco resultado do jeito mineiro de fazer política. Todo mundo faz acordo com todo mundo, todas as portas ficam abertas, todo mundo é aliado. Por exemplo, uma derrota do PT/PSDB, enfraqueceria o PT (muito bom) e o Aécio que provavelmente irá, justamente para o PMDB ser candidato em 2010, o que significa que na verdade, Aécio não sairia tão enfraquecido assim (talvez até o contrário). Além disso, a derrota do PSDB/PT daria uma força perigosa ao já forte PMDB para 2010.

Por falar em 2010, será mais uma eleição onde tomarei um “engov” e provavelmente votarei no Serra, o tucano de alta plumagem que eu mais repudio, principalmente por seu viés fortemente inflacionista e intervencionista na economia. No entanto, do outro lado devem estar PT/PMDB ou ambos com candidatura própria (o que seria uma boa, assim os dois se destroem). Espero que, pelo menos, no cenário estadual (em SP) a coisa seja mais favorável, com Alckmin saindo para governador (Alckmin que, dentro dos atuais “caciques”, é o meu candidato preferido para qualquer posto no executivo) e Guilherme Afif Domingos (DEM) saindo para senador, tirando o Mercadante (PT) de uma das vagas de São Paulo.

Um comentário:

Joel Pinheiro disse...

Não vou voltar a posts antigos, e sim fazer minha defesa da lei Cidade Limpa aqui mesmo.

Acho que foi uma boa lei; a cidade ficou muito mais bonita. O próximo passo seria passar a fiação elétrica por debaixo da terra, livrando-nos dos postes.

Se as ruas fossem privadas, como eu defendo, cada dono escolheria se permitiria ou não outdoors em sua rua. Seriam os consumidores das ruas que decidiriam, em última análise. O mesmo com as leis de trânsito de cada uma delas (claro, provavelmente haveria uma padronização, como em geral ocorre com outras regulamentações privadas).

Hoje em dia, o dono das ruas é o governo. Isso não é o ideal, mas dado que é o que temos, é bom que o governo pense em regras para o bom uso das ruas, e que decida se deve ou não permitir outdoors. Eu pessoalmente gosto da medida; não perdi nada com o fim das propagandas.