domingo, 10 de agosto de 2008

Esquerda e Direita

[1] Nove em cada dez discussões sobre política acabam girando em torno de termos como “direita” e “esquerda”. Apesar da importância desses termos, dificilmente se encontra um consenso sobre suas definições. Atualmente o divisor de águas, que serve para classificar diferentes grupos entre direita e esquerda, vem sendo o papel do governo na economia, ou de uma maneira mais geral, a sua própria função. Aquele grupo que acredita em um papel reduzido do governo, servindo apenas de “árbitro”, resguardando direitos de propriedades e contratos, que defende privatizações e o predomínio do mercado na alocação de recursos costuma ser tachado de “direita”. Já o grupo que acredita que o governo possui um papel ativo na alocação de recursos fazendo frente ao mercado através de estatais, regulações, subsídios, políticas indústrias, defendem vastos programas de redistribuição de renda, costumam ser chamados de “esquerda”. Vendo ao longo do século XX (que foi onde tal divisão ganhou status de “tema central” em discussões políticas) e mesmo para uma divisão relevante das doutrinas políticas em dois grupos excludentes, não acho tal definição errada.

[2] Mas apesar da sua “correção” para os tempos modernos, na origem, os termos significavam algo um tanto diferente. Esquerda e direita eram referências às posições em que os grupos se sentavam na assembléia legislativa francesa. Aqueles contrários ao absolutismo, contra a monarquia e a favor de reformas mais profundas se sentavam à esquerda. Por outro lado, os que fundamentalmente apoiavam os vastos poderes reais, a monarquia e de forma geral o então “atual sistema” se sentavam à direita. É importante lembrar que embora essa, atualmente, seja uma definição possível de esquerda e direita, ela não é de forma alguma aquela definição corriqueiramente usada. Vale lembrar que socialistas e liberais, que hoje são invariavelmente colocados em lados opostos, na época sentavam do mesmo lado, à esquerda. Alguém pode afirmar que hoje as coisas mudaram, os liberais “chegaram ao poder” e os socialistas estão na posição de defender reformas (ou mudanças drásticas) e serem contra o atual sistema. Bem, se isso for verdade os socialistas deveriam chamar de “camaradas” aqueles conservadores, aristocratas bem elitistas que vêem no mercado uma vitória do homem comum, do “burguês estúpido” frente à aristocracia, à nobreza do titulo adquirido pelo sangue.

[3] Na verdade, se formos definir esquerda e direita com base na disposição por mudar algo do momento, algo em pauta, certamente os “esquerdistas” de países como Brasil e França não seriam os socialistas e sim os liberais. O que os socialistas mais vêm fazendo nas ultimas duas décadas é uma oposição ferrenha a qualquer mudança, a qualquer reforma. Fariam os “direitistas” da França do século XVIII se sentirem orgulhosos. Além disso, se direita e esquerda são rótulos momentâneos, dependem da posição que o grupo ocupa no cenário político, então obviamente nenhuma doutrina política pode ser denominada de “esquerda” ou “direita” como se fosse um rótulo intrínseco, próprio da doutrina. Os socialistas da URSS eram os absolutistas franceses do século XVIII (aliás, as semelhanças não parariam por aí), seriam a expressão máxima da “direita” dentro da idéia de “rótulos dinâmicos”. Fidel Castro em Cuba também seria a direita e não a esquerda. Mas quem chamaria Fidel Castro de “direitista”? Nem os esquerdistas o fazem e acabam com satisfação colocando-o nas fileiras da esquerda. Certamente a definição original de esquerda e direita, da França “revolucionária”, se perdeu completamente. Direita e esquerda tem muito pouco (ou nada a ver) com a defesa ou não de mudanças apartir de um estado de coisas dado, servindo como parâmetro para a definição.

[4] Como não existe um referencial real, objetivo que sirva para chamar algo de esquerda e direita como existia na França (um grupo se sentava à esquerda e outra à direita), e como os socialistas se agarram ao termo esquerda como se agarra um pote de ouro, eles podem ficar com o termo. Alguns podem dizer que a história do termo no século XX pode servir de referencial, o que corroboraria a idéia de colocar o socialismo na esquerda. Além disso, os liberais de maneira geral, meio que por inércia, aceitaram se enquadrar na “direita”. Uma vez aceito isso, o que precisa ser feito é uma faxina, uma limpeza do termo “direita” que foi sempre usado pelos socialistas como sinônimo de tudo que não presta.

[5] A estratégia mais conhecida foi transformar o termo “esquerda” em algo que simbolizava tudo aquilo que as pessoas consideram moralmente superior. Justiça, liberdade, paz, igualdade – se você deseja e apóia alguma dessas coisas você é “esquerdista”. Isso ainda acontece a torto e a direita. Basta ligar na atual novela das oito da Rede Globo e ver que os personagens justos, honestos (alguns deles viraram políticos) são comunistas e isso é declarado abertamente na novela. O vilão quase sempre é algum grande fazendeiro, grande empresário, representantes do “capitalismo malvado” que está á direita. A transformação do termo “esquerda” em quase sinônimo de justiça, honestidade e um monte de outras coisas boas teve como contrapartida (obviamente pensada) a transformação do termo direita em tudo aquilo que não presta. Em todos os sentidos, principalmente em países com uma cultura socialista fortíssima entre os intelectuais, direita acabou se transformando em “coisa ruim” a ponto dos políticos e partidos terem medo de se classificarem como “de direita”.

[6] Eu particularmente não gosto dos termos “direita” e “esquerda” tamanha a confusão que eles geram. Existem várias definições para esses termos e você nunca sabe qual o interlocutor está usando. No presente texto já apresentei duas, poderia citar outra famosa que diz que direita é quem coloca a liberdade acima da igualdade e esquerda a igualdade acima da liberdade. Por ser supostamente “imparcial” e não fazer uma divisão entre o “bem” e o “mal”, é uma definição bastante usada por cientistas políticos e comentadores que querem se passar por neutros. Obviamente não existe nada de imparcial em pegar duas coisas diferentes em termos de valores morais e justiça e ocultar a hierarquia entre elas, transformá-las implicitamente em coisas “iguais”, com igual peso e valoração. A tal definição imparcial entre esquerda e direita no fundo não passa de uma estratégia socialista para lidar com as barbáries que cometeu ao longo dos tempos. Tentar colocar a “igualdade” (vale lembrar que o “igualdade” da definição é igualdade material) como um valor, em termos de legitimidade e justiça, igual à liberdade e dizer que a discordância é só sobre qual é mais importante é legitimar o socialismo, torná-lo igual ao liberalismo no campo da justiça. Igualdade material (como política de governo) nunca foi e nunca será legitimo. Assim como “deixar viver” e assassinato não possuem o mesmo status de justiça. Um “serial killer” que valora mais assassinatos que a vida não é igual a alguém que defende a vida e é contra assassinatos.

[7] No lugar de esquerda e direita, prefiro a divisão um pouco mais esclarecedora entre "coletivistas" e “individualistas”. Um individualista reconhece o indivíduo como a unidade básica da realidade. Em qualquer lugar e época que ele esteja. Reconhece explicita ou implicitamente a sua natureza, as suas características inatas e fundamentais, aquilo que o define como indivíduo. Apartir disso compreende a sua forma correta de sobrevivência, os seus direitos naturais e conseqüentemente entende a sociedade como sendo originada (e formada) por esses indivíduos em busca de seus próprios interesses, em busca do aproveitamento das vantagens da divisão social do trabalho, da especialização e das trocas. Um coletivista não enxerga indivíduos como sendo a unidade básica da realidade, como sendo uma entidade que existe com determinadas características inatas, com uma dada natureza. Para eles o indivíduo é uma “construção”, uma construção social. A sociedade vem antes, ela é a origem do indivíduo. Fazem um malabarismo completo para distinguir um “indivíduo” de um “ser humano”. Um ser humano é algo indefinido, um animal irracional sem natureza específica, um “nada” que só passa a existir quando está em sociedade. O “indivíduo” é uma das formas que esse ser humano passa a “incorporar”. Seres humanos não são “indivíduos”, indivíduo é uma construção da sociedade, é a concessão por parte do estado, da sociedade de alguns direitos, é a construção de uma cultura que permite a você se ver como “único”, independente dos demais, dono de si mesmo.

[8] O coletivista se nega a ver o ser humano como ele é, a sua natureza e conseqüentemente seus direitos. Ele nega completamente isso. A sociedade, esse deus místico que ninguém sabe de onde surge, é quem constrói e define um indivíduo. Não a sua natureza. Por isso mesmo, como a sociedade é a fonte daquilo que é chamado de direitos e justiça ela pode tirar. Nada que a sociedade faça é injusto, pois ela é a fonte da justiça. Nada que ela faça viola direitos individuais. Eles não existem, são uma concessão da sociedade. Resumindo, o individuo é sacrificado em nome daquilo que é considerado o “bem da sociedade”. Mais que isso, por não compreender nem a natureza dos seres humanos e conseqüentemente a natureza de uma sociedade, o “bem da sociedade” se torna oposto e contradizendo o “bem individual”. O individuo como tal é visto como uma ameaça aos “interesses da sociedade”, a busca da felicidade individual se torna um mal para a sociedade quando na verdade é o motivo central que a origina e a mantém.

[9] Liberais, implícita ou explicitamente são individualistas. Mesmo aqueles liberais aparentemente mais pragmáticos, utilitaristas reconhecem implicitamente a natureza humana e conseqüentemente o maior problema gerado por essa natureza: a escassez. Obviamente existe uma escala continua entre “reconhecer explicitamente” e reconhecer tão implicitamente que chega a beira de negá-la. Mas dado esse reconhecimento, as propostas políticas e sociais dos liberais irão convergir nos grandes pontos: a defesa do livre mercado, de um governo limitado, que primordialmente garanta direitos de propriedade e o cumprimento de contratos. Essas propostas são derivadas de uma mesma base, do reconhecimento do que é um ser humano e conseqüentemente do modo adequado de sobrevivência para uma entidade com tal natureza.

[10] Os socialistas por sua vez são coletivistas. Negam o individuo, a sua natureza e conseqüentemente defenderão políticas bizarras para sua sobrevivência. O século XX mostra o quão bizarras foram essas políticas. Aqui é importante apontar erros um tanto comuns e algumas vezes propositais, com a única intenção de confundir e transformar o socialismo e o “esquerdismo” naquele sinônimo citado anteriormente: de tudo que é bom. Quando lemos escritos socialistas (com exceção de alguns mais sinceros e por isso mesmo às vezes renegados pelos próprios socialistas atualmente), vemos várias referências à defesa do “ser humano”, da liberdade, da capacidade de cada um ser realmente desenvolvida, de cada um ser o que quiser e coisas belas como essas. Alguns socialistas chegam a dizer que a “liberdade burguesa” de mercado na verdade é opressora, esmaga o individuo, é o “totalitarismo de mercado”. Bem, essas coisas são o exemplo típico do que eu coloquei nos parágrafos anteriores: o não reconhecimento do que é um individuo, do que é um ser humano, da sua natureza. Os socialistas usam a palavra “indivíduo”, “liberdade” de uma forma completamente errada; a pegam “emprestada” e colocam um significado completamente diferente do seu correspondente na realidade, do seu verdadeiro significado. Aí surgem barbaridades como: eu não posso ser um pintor porque vou morrer de fome, logo não sou livre. Que espécie de individualismo é esse que me “obriga” a não ser pintor? Que não me deixa seguir aquilo que eu realmente quero? Essas perguntas tolas só fazem sentido se alguém não entende nada sobre algo chamado escassez e conseqüentemente, muito menos sobre o modo de sobrevivência, as ações exigidas para a manutenção da vida de algo chamado “ser humano”. Não é difícil perceber que esse raciocínio errado levará a todo tipo de totalitarismo, a negação completa da liberdade, dos direitos individuais e mais que isso, por serem políticas derivadas de um diagnóstico errado sobre a natureza humana, não alcançará o que pretende. Só gerará mais miséria, não deixará o pintor ser pintor, o fará morrer de fome mesmo como pedreiro, agricultor, operário...

[11] Esse é o mesmo erro presente em uma infinidade de anarquistas que receberam a alcunha de “individualistas”. Não são individualistas a não ser no nome. Veja, por exemplo, um trecho de um autor representativo dessa corrente, Max Stirner:

"Não exijo qualquer direito e, portanto, também não os reconheço. O que puder conquistar pela força, conquistarei e não terei qualquer direito àquilo que não puder conquistar. Se eu for poderoso, terei poderes sobre mim mesmo e não necessitarei qualquer outro tipo de autorização ou direito"

Só alguém que vê si mesmo como um deus, e não como um indivíduo, como um ser humano, pode escrever algo assim. É a completa negação do que é um individuo e do seu correspondente modo de ação correto. Se no “coletivismo tradicional” a sociedade é a fonte da justiça e dos direitos, para esses “individualistas” é a força, a vontade do mais forte. O indivíduo é sacrificado pelo mais forte que tem total legitimidade para escravizar quem quer que seja mais fraco que ele. Não difere em nada da “ode à força” que nazistas e fascistas faziam. Obviamente peguei Stirner para cristo, mas o mesmo padrão de erros é recorrente em quase todos os “anarquistas clássicos”. A manifestação mais comum desse erro é a mistura total entre conceitos como “coerção”, “custo”, “hierarquia”, “propriedade privada”. Se você não pode comer um pedaço de uma torta e ter a torta inteira ao mesmo tempo você não é livre, está sendo coagido. Se você não pode usar uma terra que não lhe pertence, está sendo coagido, não é livre. Obviamente todos esses erros de mesma origem intelectual, assim como no caso dos socialistas não são “inofensivos”, eles geram desastres.

[12] Mas voltando a questão dos termos “esquerda” e “direita”, qual a relação desses conceitos com o coletivismo e o individualismo? Basicamente apartir do século XIX, XX, os grupos que se auto-intitulam esquerda, vêm sendo os defensores históricos dos coletivismos, enquanto os chamados “direitistas” vêm sendo os defensores do individualismo. É a diferença fundamental que separa liberais de socialistas. Se socialistas estão na esquerda, e a direita representa o seu oposto (onde os liberais estão), o ponto central da divisão é a dicotomia individualismo x coletivismo. A esquerda representa o coletivismo, o sacrifício do indivíduo perante a sociedade, a negação do indivíduo como tal. Já a direita representa o oposto: individualismo, o reconhecimento da natureza humana, do indivíduo. Essa definição representa de maneira mais profunda a definição mais comum e pragmática dada no começo do texto. Essa última segue diretamente do reconhecimento correto (ou mais correto do que a “esquerda”) da natureza humana e por tabela das políticas adequadas para sua sobrevivência de forma adequada, como um ser humano: o mercado.

[13] Mas e o nazismo e o fascismo? O nazismo e o fascismo nada mais são do que uma forma de coletivismo, assim como o socialismo marxista e tantos outros socialismos. O fato de por um longo período esses regimes serem chamados de “extrema direita” não tem nada a ver com uma separação relevante entre socialistas tradicionais, ou a esquerda em geral, e nazistas. Ambos são coletivistas, defendem a sociedade (no caso nazista, a raça) que sacrifica (e pode legitimamente sacrificar) indivíduos em nome do seu bem estar. Ambos negam completamente a natureza humana e conseqüentemente seus direitos naturais. Alguém pode afirmar que socialistas “defendem” a existência de luta de classes e nazistas não. Bem, primeiro, nazistas não defendem luta de classes, mas defendem a existência de uma “luta entre raças”. Segundo, muitos liberais, franceses principalmente, defenderam e ainda defendem a presença de luta de classes, obviamente não entre “burgueses” e “trabalhadores”, mas sim entre “taxados” e “taxadores” (oprimidos e opressores) e nem por isso os socialistas os chamaram de “camaradas” ou de socialistas também. Se a definição entre esquerda e direita é dada pela adoção da idéia de que existe uma luta de classes entre burgueses e trabalhadores (algo bem marxista), então a próxima vez que algum socialista defender isso você ria da cara dele e diga que a divisão deveria ser entre “ruim e boa teoria econômica” ou mesmo “teoria econômica falsa e teoria econômica verdadeira” (talvez existência ou não de Papai Noel seja mais adequado), além de perguntar por que eles adotam uma terminologia que não tinha nada a ver com “luta de classes entre burgueses e trabalhadores”.

[14] Obviamente todo socialista/ esquerdista rejeita a colocação do nazismo no seu devido lugar. Usam argumentos esdrúxulos como: 1) a propriedade privada foi mantida 2) porque os nazistas e fascistas perseguiram os esquerdistas (socialistas) então? Bem, a primeira é uma piada de mau gosto. Só porque alguém chama Ricardo de João, Ricardo não passa a ser João. A propriedade privada da Alemanha nazista não passava de um rótulo. Nada tinha de propriedade privada. O governo não controlava a fábrica diretamente, mas era quem determinava absolutamente tudo: o que produzir, quanto produzir, aonde produzir, a que preço, quantos trabalhadores usar etc.. Os verdadeiros donos, quando eram favoráveis ao nazismo, só permaneciam como gerentes, funcionários do grande plano de produção do fuhrer.

[15] O segundo argumento, além de ser uma piada pior que o primeiro é inocente ao extremo (ou de muito mau caráter para pegar os incautos). Como resposta, pergunte então a um esquerdista quem não era esquerdista (socialista) entre Trotsky e Stalin? O fato de uma corrente de socialismo matar, combater outra não tem nada a ver com o fato delas não serem socialistas. Essas disputas dependem apenas da força de outro inimigo em comum. Na Alemanha pré-nazista, socialistas, nazistas (que vira e mexe trocavam de “ideologia”) combatiam o pouco de liberalismo presente na Alemanha. Quando esse foi exterminado, o caminho foi limpo, era “normal” as duas correntes se digladiarem pelo poder total. Assim como ocorreu na URSS. Depois de eliminados os inimigos comuns, os “stalinistas” e “trotskistas” se mataram pelo poder, para decidir os rumos da revolução. Além disso, nazistas e fascistas também perseguiram liberais que não fizeram concessões ao novo regime. O próprio Ludwig Von Mises teve que fugir da Áustria (que seria anexada pela Alemanha nazista). Pelo mesmo raciocínio do argumento dois, como liberais e nazistas podem ser “de direita”?

[16] E sobre o maciço apoio de grandes industriais a Hitler? Ora, se você fosse um “grande industrial não judeu”, que não soubesse antes os horrores que o nazismo faria, você preferiria ser um gerente bem remunerado da sua própria fabrica que seria estatizada extra-oficialmente, ou preferiria ir para em um campo de trabalho forçado na Sibéria por ser “burguês”? (na melhor das hipóteses). No entanto mais importante que essa justificativa bem pragmática, é perceber que o argumento do apoio dos industriais tem como base a idéia marxista de que existe uma relação direta entre “burguesia, i.e, grandes industriais” e apoio ao livre mercado (capitalismo) de um lado e, do outro lado, apoio dos trabalhadores ao socialismo. O segundo é até um pouco menos falso, devido à desinformação completa dos trabalhadores, principalmente os mais pobres ou ainda por causa dos sindicatos que se autoproclamam “representantes dos trabalhadores”. Agora, o primeiro dificilmente será verdadeiro. Nada pior para empresários já estabelecidos do que o livre mercado. Novos concorrentes são sempre ruins. O melhor é tentar garantir a posição através de algum privilégio estatal que limite novos entrantes (concorrência). Nisso, os esquerdistas são craques. Tirando socialistas extremamente radicais (e mesmo assim dependendo contra quem eles estão lutando), a ampliação do poder do governo é sempre um prato cheio para grandes empresários conseguirem subsidio e privilégios (já comentei várias vezes isso no blog). Grandes empresários, ao contrário do que socialistas marxistas pensam, não são contrários a ampliação do poder do governo, simplesmente porque são abertas as porteiras para que eles “capturem” as agências e os orgãos responsáveis pela regulação.

[17] Por fim, os liberais devem aceitar o rótulo “de direita” que os socialistas costumam impor? Acredito que sim, é algo meio inevitável, mas devemos cada vez mais desintoxicar, limpar o termo, deixar claro o que significa. Não devemos admitir que o nazismo seja colocado no mesmo grupo que o dos liberais. Devemos mostrar o quão semelhante o nazismo foi em relação ao socialismo, que no fundo é só mais uma forma de coletivismo, de “esquerdismo”. E quando um socialista falar em liberdade, democracia, que a URSS foi um erro devemos mostrar que não! Que a própria doutrina socialista, que os próprios erros em reconhecer o que é um ser humano, a sua natureza acabam por levar o socialismo teórico inevitavelmente para o que foi a URSS e a Alemanha nazista. Devemos mostrar que a verdadeira diferença é entre individualismo e coletivismo, entre mercado e governo, em suma, entre liberdade e escravidão. O encanto e a máscara da esquerda devem cair.

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