segunda-feira, 4 de agosto de 2008

De volta a 1929

Luis Carlos Mendonça de Barros em um artigo na Folha de SP (De volta a 1929) defendeu, como sempre, que o governo americano deveria salvar as instituições financeiras em dificuldades. O mais engraçado é que ele chama de liberais religiosos aqueles que são contrários. É o típico problema de não olhar para o próprio umbigo. Não, o Sr. Mendonça de Barros não é um “liberal religioso”. Isso no Brasil, principalmente entre os formadores de opinião, é quase tão raro como uma “arara norueguesa”. O Sr. Mendonça de Barros junto com a sua patotinha é só mais um, infelizmente tão comum, estatólatra religioso. Não importa o que acontece, não importa a irracionalidade dos argumentos, sempre defenderão o governo gastando o dinheiro dos outros para evitar, pasmem, a correção do mercado para regulações e intervenções passadas do mesmo governo que eles tanto defendem.

Os estatólatras religiosos não entendem causa e efeito. Eles invertem tudo. Na verdade, não entendem nem o que odeiam tanto: o mercado. Para esse povo, lucro é sinal de que o mercado funcionou, prejuízo, quebras é sinal de que o mercado “falhou”. Eles não sabem que lucros e prejuízos são sinais que indicam a correção ou não de uma determinada ação, de uma determinada alocação e que um sistema adequado de sinalização não pode indicar que você está certo (lucros) quando está a beira de cair com o carro de um precipício de 200m. Quando o sistema indica o erro, começa a mostrar os prejuízos de estarmos tão perto do precipício, o que a patotinha estatólatra em couro começa a defender? Que o governo injete alguma droga no sistema ou tape a boca do menino que grita “olha o precipício” na beira da estrada, transformando avisos de prejuízo em lucro. Para completar o suicídio, esses “economistas” aplaudem dizendo que é um sinal de que o governo deve regular o mercado para evitar o pior. Mas quando a morte está inevitavelmente perto e a gravidade mostra sua cara, eles dizem: mas cadê os lucros? Não estava tudo bem? Não estávamos longe do precipício? Precisamos trocar o sistema de avisos, o anterior não funcionou. Chamem novamente o governo!

O governo americano por anos injetou moeda na economia, incentivou a expansão do crédito e levou as taxas de juros para níveis baixíssimos. Drogou o sistema e tapou a boca do moleque da estrada por mais de uma década. Os keynesianos de sempre, principalmente os daqui, adoraram a farra. Olhavam para o crescimento americano, olhavam para o Brasil e diziam com aquele ar de “olha como estou certo”: eles com juros baixos crescem o que crescem sem inflação e nós aqui, com esses juros estratosféricos não crescemos nada. Agora tentam jogar o fracasso do inflacionismo que eles tanto adoram, nas costas do mercado e do liberalismo. O que falhou, mais uma vez, foi o governo. O mercado, como lhe é cabido, estampou em letras garrafais aquilo que os governos tentaram encobrir manipulando as taxas de juros a tempo: PREJUÍZO!

O que o governo americano deve fazer depois de tanta besteira, não é novamente tapar a boca do menino e como bom suicida dizer, continue seu rumo. Eu garanto! O que deve ser feito é deixar os loucos que seguiram as indicações erradas do governo arcarem com as conseqüências de seus erros, ou seja, quebrarem. Só assim eles não cometerão o erro de novo, só assim o sistema financeiro será desinfectado, será limpo de tantos erros e vírus introduzidos pelas drogas (políticas) do governo. Novas regulações? Não, o sistema financeiro precisa é de mercado. Mercado que o governo americano manteve bem distante nas últimas décadas quando o assunto foi mercado financeiro.

E o risco sistêmico? Nenhum risco sistêmico será evitado com o governo bancando o suicídio. A melhor forma de evitar o pior é deixar claro que quem erra, quem tem prejuízo, paga do seu próprio bolso. Se bancos, financeiras e investidores se arriscam, o ônus do risco será pago por eles. É o melhor incentivo que pode ser gerado para que políticas sadias sejam colocadas em prática pelas próprias instituições financeiras, como administrar riscos de maneira mais cautelosa. Mas é claro que os estatólatras, que não sabem nem como funciona o mercado e seu sistema de lucros e prejuízos, não entenderão a lição. Defenderão o governo com a continuação da sua política errada e ainda receberão apoio de alguns banqueiros e “peixes graúdos” que adorarão a oportunidade de passarem a conta para quem não tem nada a ver com a conversa, sob a alegação teórica de um risco sistêmico, risco na verdade gerado pelas próprias intervenções do governo. Não seria novidade, já foi feito inúmeras vezes, inclusive em 1929.

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