segunda-feira, 28 de julho de 2008

Um pouco sobre escola austríaca

[1] Com a vinda do Instituto Ludwig Von Mises para o Brasil, somado ao acesso à informação praticamente livre que a internet permite, jovens estudantes, economistas já formados, estão descobrindo de forma mais completa a chamada “escola austríaca de economia”. Não é meu objetivo descrever aqui detalhadamente o que seja tal escola, onde começou, com quem começou (além dessas coisas gerarem tanta discussão inútil – que não me interessa nenhum pouco – existe um farto material sobre o tema na página do Mises Institute). Bem rapidamente, para quem não é economista ou é, mas nunca ouviu falar, a escola austríaca surge com Carl Menger na época da chamada “revolução marginalista”. Junto (em termos de datas), mas totalmente separados espacialmente e com trabalhos independentes, Menger, Jevons e Walras conseguiram resolver o famoso “paradoxo da água e do diamante” que atormentava os economistas e os levava para erros como a teoria do valor trabalho. A resolução foi através do conceito de “utilidade marginal” (por isso o termo “revolução marginalista”). A partir daí, estudantes de economia passaram a sonhar (ou ter pesadelos) com derivadas e problemas de otimização.

[2] Cada um desses pioneiros acabou gerando o que foi inicialmente chamado de “braços” da escola neoclássica de economia. Jevons foi o “fundador” do “Marshallianismo” que depois recebeu vários outros nomes, dependendo do tema discutido (equilíbrio parcial, Escola de Cambridge etc..). Walras deu origem a chamada “Escola de Lausanne” que evoluiu para o que hoje é o padrão na economia mainstream: o equilíbrio geral a lá Arrow-Debreu e as aplicações dos economistas de Chicago, Minnesota, etc.. Já Menger originou a “Escola Austríaca”. Ao contrário dos outros dois economistas e dos seus supostos “seguidores”, Menger expôs todos os conceitos relevantes sem a ajuda de cálculo ou de alguma matemática mais avançada, deixando evidente o que se tornaria uma das principais características dos austríacos: a rejeição da matemática na teoria econômica. É essa característica que vem, principalmente, a partir da segunda metade do século XX, acirrando os ânimos entre neoclássicos e austríacos.

[3] Como acho essa briga em torno da matemática uma perda de tempo incrível, onde os dois lados exageram (e erram a meu ver) nos argumentos, não entrarei nesse assunto. Rapidamente, vejo a matemática com uma mera linguagem que pode tanto ajudar ao elucidar o funcionamento da economia, das escolhas dos agentes (um exemplo é o equilíbrio geral, outro seria derivação de efeitos renda, substituição, analises de bem estar, facilidade mesmo de explicação através de curvas de demanda e oferta que saem de um problema de otimização), como também pode gerar confusões incríveis (a maior delas acredito que seja a posição de alguns neoclássicos no famoso debate sobre a “possibilidade do socialismo”, que na verdade foi o grande motivador do racha entre as duas escolas). Uma outra confusão bobinha (essa, em geral presente em estudantes, mas que absurdamente permanece em alguns economistas ditos como “renomados”) é a total incompreensão do que determina o que na equação do produto Y = C+I+G. Matematicamente é uma igualdade (tanto faz o que mexe, a igualdade tem que ser mantida). Aí, economistas soltam algo do tipo: mas se subir o I ou C ou G, então o Y crescerá (o produto crescerá). Na verdade, o que a equação diz é somente que o produto Y ou vai para consumo, ou vai para investimento ou vai para o governo gastar, não que essas três coisas geram Y. Relações de causalidade se tornam um grande problema quando aplicamos matemática à economia (a ponto de alguns economistas matemáticos afirmarem que não existe causalidade, o que é um absurdo e mostra o “perigo” do uso de tal linguagem). O caso mostrado acima (da equação do produto) é só um dentro desse erro mais geral sobre causalidade.


O que define austríacos e neoclássicos?

[4] Antes de mostrar alguns pontos de discordância das duas escolas, deixe-me dar uma definição mais precisa do que eu considero escola austríaca e do que considero “escola neoclássica”. É importante fazer isso até porque o nome “neoclássico” já foi usado inúmeras vezes e para representar coisas completamente diferentes do seu uso corriqueiro hoje (como a síntese neoclássica dos modelos keynesianos – o famoso IS-LM). A escola austríaca teria as seguintes características: 1) individualismo metodológico (todo fenômeno econômico deve ser explicado a partir de ações, escolhas individuais). 2) praxeologia (a ciência econômica é “dedutiva”, parte de um axioma “verdadeiro a priori”, no caso “ação humana” e deriva logicamente todas as suas conclusões e implicações desse axioma. Em alguns casos complementa esse axioma com outros bastante evidentes como “as pessoas são diferentes” ou algo do tipo). 3) preocupação com processos que levam ao equilíbrio e não com o equilíbrio em si. Além desses três, talvez possam ser incluídas a já citada rejeição a matemática e o subjetivismo, mas o subjetivismo já está implícito em um. Do ponto de vista da economia (estudo das ações humanas, das escolhas), o mundo é o que o individuo acha que ele é, o que importa são as suas valorações, como ele valora e analisa tudo que sua consciência percebe (o que sua consciência não percebe não “existe” para ele).

[5] E a escola neoclássica? Acredito que os elementos que a definam sejam: 1) individualismo metodológicos, que modernamente é chamado de “microfundamentação” e significa o mesmo que na escola austríaca. Aqui vale a pena destacar um pouco a questão do subjetivismo. “Oficialmente” a escola neoclássica é subjetiva (as preferências são subjetivas, variam de individuo por individuo, o mundo é o que o individuo percebe e nos modelos isso é descrito geralmente pela função de utilidade), embora algumas vezes os neoclássicos se esqueçam desse subjetivismo. O ponto crucial aqui é o “lado da produção”. A função de produção, que diz como os fatores devem ser combinados para gerarem um dado produto, é apresentada como uma “relação técnica”, um dado tecnológico. Isso contraria o subjetivismo. Não existe, para a analise da escolha dos indivíduos (economia) do ponto de vista do subjetivismo, algo como “um dado tecnológico”. O individuo precisa perceber isso. Se ele não perceber ou perceber de forma distinta ele agirá da forma que percebe, que sua consciência “capta” o mundo externo. Para ele escolher, resolver o problema de maximização usando a relação correta é necessário estar subentendido que o agente percebe aquela relação. Logo, embora o “subjetivismo austríaco” seja compatível com os modelos neoclássicos, normalmente os neoclássicos apresentam funções de produção como algo “objetivo”.

[6] As outras características principais dos neoclássicos seriam: 2) ênfase no equilíbrio (não importando muito processos que transformem situações de desequilíbrio em equilíbrio). 3) “empirismo”. A característica (3), a meu ver, é a grande diferença entre austríacos e neoclássicos. Para uma explicação brilhante do empirismo neoclássico sugiro o artigo original de Milton Friedman, que virou uma espécie de bíblia metodológica dos neoclássicos: A Metodologia da Economia Positiva. O artigo, mesmo para quem não concorde, além de uma literatura agrabilissima, é instigante. Resumindo muito rapidamente, há uma junção entre “explicar” e prever (essas coisas são tratadas, senão sendo a mesmíssima coisa, como sendo coisas muito próximas). Logo uma teoria correta (ou não falsa), que explica o tema de interesse, o mundo real é aquela que prevê da melhor forma a variável chave (ou as variáveis relevantes) do problema. O artigo é muito preocupado com o suposto “realismo” dos modelos econômicos. Na época os modelos matemáticos / teóricos dos neoclássicos estavam sob fogo cerrado (inclusive amigo). O artigo é uma defesa do “irrealismo das hipóteses do modelo”. A pergunta que Friedman faz é: como avaliar o realismo ou não de uma hipótese? Lembre-se que nos modelos neoclássicos, principalmente os mais simples e tradicionais, as hipóteses iniciais são “falsas” como descrição de mundo. São pressupostas coisas como concorrência perfeita, “conhecimento perfeito” e por ai vai. Friedman quer defender essas hipóteses “irrealistas”. E a sua defesa é baseada na junção de explicar/prever citada acima. O padrão para julgar se uma hipótese é “realista” ou não é dada pela sua capacidade em gerar previsões corretas para a variável do problema em questão. Se um modelo baseado em um dado conjunto de hipóteses gera previsões condizentes com os valores reais da variável, então esse modelo “explica” ou ajuda a explicar o mundo real. As hipóteses então, mesmo falsas descritivamente, são úteis para explicar o mundo real e devem ser usadas pelo cientista interessado nisso (explicar algo, mostrar como funciona etc..). E como decidir entre vários modelos irrealistas que prevêem muito bem a variável em questão? A resposta dada por ele é uma “analise de custo - beneficio”. O modelo deve ser o mais parcimonioso e geral possível, o que significa que o número de variáveis necessárias e a complexidade do modelo para explicar um fenômeno deve ser a menor possível (esse é o custo do modelo). Por outro lado, esse modelo simples deve ser capaz de prever bem o fenômeno particular e uma infinidade de outros fenômenos relacionados (o beneficio). Como já disse, de forma bem resumida é essa a base do empiricismo neoclássico.


O núcleo teórico: ação humana, escolhas e preferências

[7] Explicada as metodologias, primeiro vamos olhar para elas: o que significa dentro da metodologia austríaca o “verdadeiro a priori”, que seria uma qualificação do conceito “ação humana”? Ao contrário do que não austríacos (talvez induzidos pelo nome) imaginam, isso não é um dogma ou algo que será assumido ser verdadeiro sem nenhuma justificação. O que seria ação humana? É todo comportamento propositado, consciente. É um ato de consciência (de vontade), um ato que aloca meios para obtenção de fins (tem um propósito). Um exemplo que costumo dar e talvez ajude a entender melhor esse conceito é o funcionamento do coração. O seu coração continuar batendo é uma “ação humana” ou não? Enquanto esse tema não está na sua mente, você não se torna “ciente” dele, ele não “entra” na sua consciência, o coração bater é um mero dado da natureza, como é o Sol, ou algum verme perdido em um planeta distante que você não tem a mínima idéia se existe ou não, ou ainda como o fato de você ter que comer para viver ou mesmo ser consciente. Mas veja o seu caso. Quando eu citei o batimento do coração, esse tema entrou na sua mente, você se tornou ciente dele e mesmo assim você não saiu correndo, pegou uma faca e a enfiou no peito (pelo menos eu espero que não). Esse “não movimento”, essa escolha interna que você fez ao estar ciente do coração batendo: “deixarei ele aí, quietinho, batendo”, isso é uma ação humana dentro da economia austríaca. Esse exemplo, acho bom porque tem todos os elementos mais confusos do conceito de ação: primeiro enfatiza bem a questão da consciência – o coração ficar batendo sem você estar com a sua mente focada nisso, “ciente do tema”, não é uma ação humana, é um dado da natureza ou um “dado externo”. A partir do momento que você foca no tema, que ele “entra” na sua mente, e você em pensamento “diz”: “deixe-o aí”, isso é uma escolha, uma ação humana, um comportamento consciente. Você escolheu viver. Você “agiu” no sentido usado pelos austríacos em economia. Veja que ação não tem nada a ver com “movimento”. Você continuou sentado na cadeira, não se moveu, mas agiu, escolheu permanecer vivo.

[8] Porque a ação humana é verdadeira (existe)? A maneira mais simples de provar é perceber que a sua negação é ela mesma uma ação humana (consciente, propositada), o que confirma a sua veracidade. Em qualquer pensamento humano está implícita a idéia de ação humana (como definida acima). É por isso que ela foi chamada por Ludwig Von Mises de “verdade a priori”. Seria algo dado já “de inicio”, sem precisar recorrer a qualquer experiência externa. O próprio ato de pensar já é ação humana – o funcionamento da consciência. Ela seria uma “lei do pensamento” (para os mais kantianos, como Mises). Para austríacos mais “aristotélicos” ela é uma “lei da realidade”. É uma característica, compõe a identidade, a natureza de uma entidade que existe. Seja lá a “filiação filosófica” do cliente, o que importa aqui é entender o porquê “ação humana” é tratado como sendo verdadeiro a priori. Porque é algo que é implicado por qualquer pensamento, é uma espécie de conceito axiomático (um conceito que é a base de todos os outros conceitos). Não é um dogma ou algo do tipo. É justificado racionalmente, faz parte da estrutura lógica do pensamento, do próprio uso da razão.

[9] O equivalente neoclássico de ação humana é a idéia de “escolha”. Apesar de não usarem as mesmas palavras, no fundo são a mesma coisa. A escolha é representada como a própria estrutura do problema: algum agente maximizando uma função objetivo sujeito às restrições. O agente “escolhe” aquilo que o deixa mais feliz. Nos austríacos, o agente também maximiza. Mas ele maximiza o que ele percebe, o que está na sua consciência. Se o agente não percebesse algo, em termos de economia neoclássica, a variável não estaria no modelo, não estaria no “seu mundo”. Assim como nos austríacos, alguém não escolhe, não “pensa” sobre o que não percebe (novamente, o coração batendo – aposto que você até já tinha se esquecido dele aí).

[10] Onde está a discórdia aqui? Na metodologia. Para os neoclássicos, não existe escolhas como “verdadeiro a priori”. O status da escolha e da maximização de utilidade é tão somente o de uma hipótese usada para construção de modelos visando à previsão ou a explicação de algum fenômeno. Essa hipótese é usada, não porque seja “verdadeira”, mas sim porque, por mais irrealistas que possa ser, ela gera modelos que explicam bem uma variável de interesse. Pode parecer um mero jogo de palavras, mas não é. Veja, por exemplo, os recentes desenvolvimentos em economia Behaviorista ou em estudos sobre “irracionalidade” do consumidor. São tentativas de rejeitar a hipótese de “racionalidade” que está estritamente ligada à idéia de escolha, de ação humana (Mises diz até que o oposto de ação racional não é ação irracional, mas sim instinto para deixar claro que toda ação consciente, toda escolha é sempre racional). Muita da confusão é gerada pelo próprio uso da palavra “racional”. Racional em Mises é sinônimo para consciente (para o calculo de custos e benefícios e a conseqüente escolha derivada disso). Nos neoclássicos, racionalidade aparece mais comumente como maximização sob preferências racionais (dado preferências racionais, o agente escolhe a cesta que lhe gera mais utilidade). Já preferências racionais seriam preferências completas (dada duas alternativas quaisquer, você consegue “classificá-las”), transitivas (se A é melhor que B que é melhor que C, então A é melhor que C) e reflexivas (A=A, B=B – algo é tão bom quanto ele mesmo). Antes de tratar das preferências diretamente, por que nos austríacos os agentes também “maximizam”? Simplesmente porque não faria sentido algum um agente perceber algo factível (disponível) para ele como melhor e escolher outra coisa (que não seria melhor). A própria palavra “preferência” ou “melhor”, “pior”, implica uma ordenação feita pelo agente. A maximização é tão somente a ação que segue dessa ordenação.

[11] Sobre as preferências em si, para os austríacos o homem age (tem comportamento propositado), ele escolhe. Mas ele não escolhe o pior ao melhor (pior ou melhor já se referem a uma valoração do seu ponto de vista, logo afirmar que um agente escolhe o pior seria uma contradição, a própria definição de pior quer dizer “ele prefere, escolhe o outro”). Mas para maximizar (escolher sempre o “menos pior”, o que significa o “melhor”, o preferido a todas as alternativas disponíveis), as suas preferências serão transitivas. Caso contrário jamais seria possível realizar uma ordenação passível de ação maximizadora. Se A é preferido à B e B é preferido à C, mas C é preferido à A não existe como ordenar e agir. E as outras duas propriedades? Em relação à completude, ela segue diretamente entendendo que “todas as cestas” representam cestas percebidas pelo agente. Se o agente percebe cestas, como ele age, ele ordena. Se não ordenasse, um agente jamais teria como alvo de suas escolhas tais cestas, ele não agiria. E a reflexiva? Na verdade, formalmente (logicamente) a reflexiva segue das duas anteriores, mas em termos mais concretos ela não tem relevância alguma do ponto de vista subjetivo. Se alguém ao ver duas canetas idênticas valora as duas de formas diferentes (coloca uma como preferida à outra), podemos até chama-lo de louco ou “irracional”, mas em termos de economia subjetiva, só significa que para ele são dois bens distintos. Bens, em termos de teoria econômica positiva, não têm qualquer relação com características físicas do objeto. O que importa é como o indivíduo o vê, como o agente valora o objeto. A hipótese de reflexividade na teoria neoclássica só tem algum conteúdo mais relevante (e não “puramente formal”, logicamente derivado das outras duas), se abandonamos o subjetivismo e passamos a considerar que canetas iguais, por serem iguais precisam ser valoradas igualmente (o que significa na prática que o que são as características físicas, objetivas da coisa e não aquilo que o agente percebe, valora é que determinam se a coisa é um bem).

[12] Não se refuta um “conceito axiomático” como é o de ação humana, a sua refutação implica a sua validade e confirmação (é o que acontece quando tentamos negar a veracidade da ação humana). É a hierarquia lógica do pensamento, do conhecimento. Um conceito axiomático implica todos os demais conceitos (a ação de refutar é um simples exemplo de ação humana). Mas alguns neoclássicos erroneamente tentam refutar a tal “racionalidade” (maximização sob preferências racionais), justamente por se basearem em uma metodologia que nega a existência de coisas verdadeiras não passiveis de falseamento ou refutação (são "verdadeiras a priori" por serem a base de qualquer pensamento ou conhecimento humano). Rapidamente vejamos as duas principais linhas seguidas para tentar refutar a racionalidade. A primeira é a negação do subjetivismo e é usada principalmente por behavioristas (que nem se enquadram dentro daquele neoclassicismo tradicional). Geralmente a estratégia é a seguinte: é bolado algum jogo (ou uma charada) que realmente paga quem participa. O jogo é criado de forma a confundir o participante que acaba caindo na pegadinha e escolhendo “errado” (algo do tipo, uma escolha que aparentemente gera uma quantidade maior de dinheiro, mas que na verdade paga bem menos que outra oculta). Outro tipo comum é aquele que confunde o participante a ponto de gerar uma escolha incompatível com a transitividade ou com o axioma fraco da preferência relevada, por exemplo. Nesses tipos de experimento, é dada uma série de opções que depois são repetidas, mas de uma forma “oculta” e o participante passa a escolher algo que ele não tinha escolhido antes, mesmo com todas as opções, no fundo, inalteradas.

[13] Supondo que alguém tenha como critério de ordenação a quantidade de dinheiro dado pelas escolhas (o que nestes experimentos nem é uma hipótese tão ruim), só é uma escolha irracional escolher errado se desconsiderarmos o subjetivismo. Alguém pode chamar de irracional um individuo que erre dentro de um contexto de conhecimento mais amplo, que desconsidere a realidade objetiva, mas não é isso que a economia austríaca e nem a neoclássica chamam de “racionalidade”. Se o individuo não percebe ou percebe “errado” o pagamento das alternativas, ele as escalonará da forma que as percebe e escolherá com base nesse escalonamento (que será completo e transitivo). Dentro desse escalonamento ele escolherá o melhor, ou seja, maximizará sob preferências racionais. A confusão ou as pegadinhas incluídas nesses jogos funcionam exatamente como um fator de alteração da percepção dos agentes. Desconsiderar a realidade objetiva pode ser chamado de irracional (e no campo da ética é importantíssimo), mas no campo da economia positiva não é isso que é chamado de racionalidade. No fundo esses experimentos de economia behavioristas não refutam nada em termos de racionalidade dentro da teoria econômica seja austríaca ou neoclássica.

[14] A outra linha tem mais a ver com a economia neoclássica tradicional. São coletados vários dados de um consumidor em particular, ou vários consumidores e calcula-se as várias equações de Slutsky (economista russo) dos vários bens. Se a matriz formada por essas equações (matriz de Slutsky ou matriz de substituição) não for negativa semidefinida, então não vale o axioma fraco da preferência revelada (WARP). Se não vale o WARP, não é possível representar (gerar) as escolhas disponíveis nos dados com um problema de maximização sob preferências racionais (se ela for negativa semidefinida vale o WARP, mas isso também não garante a representação através de maximização. É necessário valer o axioma forte e isso ocorre quando a matriz de Slutsky é negativa definida). O importante por trás de tudo isso é o WARP. Basicamente ele diz o seguinte: dada três alternativas, A, B, C. Se o agente escolher C, quando em face às mesmas alternativas mais uma (por exemplo, D), ele só pode escolher C ou D. Se as preferências são racionais (completas, transitivas) então vale o WARP (isso é conseqüência lógica da definição de preferências racionais e da definição formal de WARP). O problema está na transposição disso para as escolhas dos agentes. Ninguém pode garantir que as preferências do agente, no momento das diferentes escolhas, se mantiveram estáveis. Um agente pode escolher C quando A, B, C estão disponíveis e depois escolher A quando as mesmas alternativas mais D estão disponíveis simplesmente porque antes C era preferida a todas as outras e agora é A. Como diz o próprio Mises ao se referir a essa suposta “contradição” do consumidor, “consistência não é igual à constância”. Nenhum neoclássico pode garantir que a forma como o individuo capta, percebe o mundo e ordena as alternativas percebidas se manteve estável. Ele pode estar captando não uma contradição, mas uma simples alteração de preferências (e no fundo é exatamente o segundo, dado que a “racionalidade” segue logicamente do conceito de ação humana, é verdadeira também, dado o status do conceito fonte).

[15] Em relação a esse núcleo teórico (preferências, escolhas), a discordância fundamental entre neoclássicos e austríacos a meu ver é essa, da metodologia, do status que o núcleo tem. Para os neoclássicos, é uma mera hipótese de trabalho que pode ser descartada (mesmo sendo “verdadeira”), pode ser incluída (mesmo sendo falsa), dependerá do objeto de estudo do modelo a ser construído. E mesmo a “veracidade” ou “falsidade” de tal núcleo pode ser testada empiricamente. Para os austríacos não. Ação humana é um “conceito axiomático”, é verdadeiro a priori. Obviamente podem ser feitas proposições empíricas (em termos tradicionais) em cima desse núcleo. Mas um austríaco dificilmente chamaria essas proposições de algo como “teoria econômica”. Um exemplo clássico é inflação. Dada a derivação de demanda, oferta, moeda e o conceito de inflação temos a proposição: “inflação é causada por um excesso de oferta de moeda”. É uma proposição derivada logicamente do conceito de ação humana (claro que você antes passa por vários outros conceitos derivados como os citados acima: demanda, oferta, moeda etc..). Mas o que gerou tal excesso de oferta? Uma queda da demanda ou um aumento da oferta? É uma questão específica historicamente, que só pode ser respondida através da observação daquele acontecimento, naquele momento. A pergunta pode ser até mais generalista: o que geralmente causa o excesso de oferta? Quedas de demanda ou aumentos de oferta? Mas a sua natureza de questão específica não muda. Você apenas terá um conjunto maior de situações a serem observadas. Seja o que for, nenhuma das alternativas violará o núcleo teórico dado pelo axioma da ação humana, e nenhuma é revelada como um conceito axiomático, como base de todos os demais conceitos, como uma “lei do pensamento”. Os austríacos chamariam os resultados “médios” obtidos dessas observações de “história econômica”, não de teoria econômica.



O Problema do Conhecimento

[16] Um outro ponto de discordância que nos últimos anos vem sendo extremamente enfatizado, principalmente por um grupo de austríacos geralmente chamados de “hayekianos” é a “questão do conhecimento”. Ao contrário do primeiro tema (escolhas, preferências) que acho bastante interessante, essa parte (que principalmente os hayekianos vêm alegando como sendo “a essência da economia austríaca”) é irritantemente repetitiva e chata. Ao contrário de Mises que era extremamente direito e claro em suas explicações, Hayek era prolixo e confuso. A posição metodológica de Hayek nunca foi apresentada de forma muito coerente. O próprio mudou de “tonalidade” várias vezes. De um quase walrasiano (primeira parte da sua carreira), passou a ser um subjetivista bem próximo de Mises, para depois se enveredar para um misto de evolucionista confuso, porém interessante, com popperianismo e falsificacionismo. O problema maior foram alguns dos seus seguidores, que transformaram a sua ênfase no problema do conhecimento (a última fase de Hayek) em algo que beira a “inutilidade” para a economia.

[17] Como esse tema mereceria um texto só para ele, vou fazer algo bem resumido. Para os mais interessados sugiro o artigo clássico de Hayek de 1937 (Economics and Knowledge), Competition as a Discovery Procedure e o livro inteiro chamado Law, Legislation and Liberty, que é uma espécie de aplicação da mesma idéia para cultura, normas, além de um capitulo inteiro sobre a aplicação tradicional para mercados. Na verdade, todos os trabalhos de Hayek pós-segunda guerra (exceção do Desestatização do Dinheiro) trazem a mesma tônica (a questão do conhecimento). Na versão mais tradicional, o problema é apresentado da seguinte forma: como indivíduos com conhecimento diferentes sobre oportunidades, sobre avaliações na forma de produzir, mesmo diferenças sobre o que produzir podem “coordenar” esse conhecimento e descobrir se estão certos ou errados. A resposta dada por Hayek foi o sistema de preços (mercados) – embora o próprio enfatize que não são só mercados que cumprem essa função. Os preços (e lucros e prejuízos) derivados desses preços mostrariam para os indivíduos se aquele conhecimento que ele possuía, se aquela tese sobre “como e o que produzir” que cada um possuía, estava certa ou errada do ponto de vista econômico (lucro seria certo e prejuízo errado). Mais que isso, o sistema de preços “irradiaria” esse conhecimento por todo o mercado ao deixar grafado nos preços o custo e o preço daquela forma de agir. Assim tanto prejuízos quanto lucros serviriam como guias para coordenar os diferentes planos dos agentes. Os preços mostrariam o que alguém que você nunca viu na frente gostaria que fosse produzido e também a forma mais econômica de se fazer isso. Um grupo imenso de indivíduos, sem nem saber o nome um do outro conseguiria dessa forma coordenar seus planos (o que eu quero, o que eu devo produzir para obter isso e como eu devo produzir) e assim formar estruturas de produção complexas, segundo Hayek, mais complexas do que qualquer estrutura controlada por uma única mente, planejada centralmente. Uma versão “ilustrada” de todo esse pensamento hayekiano é o texto do lápis que eu postei aqui mesmo no blog.

[18] Obviamente o problema não se limita à coordenação das parcelas de conhecimento disperso e muitas vezes contraditórios dos milhões de indivíduos. Existe também a questão do como adquirir conhecimento relevante. A própria estrutura de preços incentivaria o individuo a buscar esse conhecimento através do seu sistema de premiação (lucro) para acerto e punição (prejuízo) para erro. Em um dos melhores insights de Hayek (opinião pessoal), ele diz que racionalidade (no sentido objetivo, de acertar mesmo, de compreender adequadamente a realidade objetiva) não é pressuposto para o funcionamento do mercado. Na verdade é o funcionamento do mercado que leva os indivíduos a adquirirem cada vez mais conhecimento correto / relevante devido ao seu sistema de correção de erros e premiação de acertos. Por tudo isso se percebe porque o mercado para Hayek é um grande processo de descoberta. É a maneira de se descobrir o que produzir e como produzir. Embora os hayekianos modernos escrevam livros e mais livros sobre a diferença das suas teorias em relação aos neoclássicos, uma grande diferença é chamar atenção para um erro que os últimos estavam cometendo (e em parte ainda cometem). Hayek ao apontar o mercado como sendo um processo de descoberta o transforma não mais em uma alternativa para se chegar a um ponto de eficiência conhecido pelo formulador de política, pelo economista, mas sim no próprio mecanismo que descobre e converge para esse ponto. É uma diferença fundamental principalmente em termos de economia normativa e políticas econômicas. Governos não “sabem” e não tem como saber aonde está o “ponto eficiente” e assim corrigir “imperfeições de mercados” como monopólios. O próprio mercado é o descobridor do ponto mais eficiente possível (outra mudança – como dizia Hayek, era inútil comparar o que homens sem onisciência e onipotência podiam fazer, com o que fariam os “deuses” ou planejadores benevolentes inexistentes, cientes de todos os fatos específicos).

[19] No entanto alguns excessos são cometidos nessa parte. No afã de se separarem dos neoclássicos, de marcarem posição como algo completamente diferente e de provarem que a matemática não pode ser usada para “traduzir” as suas teorias, alguns austríacos se desviaram da própria escola austríaca. Um exemplo que vira e mexe aparece é a idéia de “ignorância radical”. É um tipo de conhecimento que o agente “tromba” com ele, é totalmente imprevisto, não é “produzido” ou alvo de escolha em nenhum sentido pelo agente. Essa radicalização foi uma espécie de critica a modelos neoclássicos que falavam sobre “informação ótima” – o agente escolhe a quantidade ótima de informação que deseja adquirir. Se o agente é ignorante sobre um dado conhecimento, como pode ele decidir se vale a pena ou não pagar por tal conhecimento? Em tese, falar em “conhecimento ótimo” seria fazer a velha hipótese de conhecimento perfeito. Não existiria “descoberta” em nenhum sentido relevante.

[20] É uma critica correta quando guardada dentro do seu devido lugar. No fundo, nenhuma ação humana tem um resultado, uma conseqüência inteiramente prevista ou certa. Se o futuro fosse dado, ninguém agiria, ninguém escolheria, afinal, nada poderia ser mudado, o bem estar de um agente não poderia ser melhorado e é esse o objetivo de uma ação. Mises chamou isso de “incerteza”, embora o mesmo conceito apareça como “incerteza genuína” em outros locais. Sempre é enfatizada a diferença entre incerteza, ignorância e risco. Risco seria uma situação onde todos os resultados de uma ação são conhecidos e você tem uma probabilidade associada a cada resultado. Modelos neoclássicos em geral quando falam de “incerteza”, estão na verdade tratando de risco (dentro dessa terminologia). Pois bem, qual a importância da incerteza e ignorância radicais para o agente? Em primeiro lugar, algo que não é nem de longe percebido, não influenciará em absolutamente nada na ação do agente. Ou seja, a tal ignorância radical (a radicalização da idéia de “descoberta ao acaso”), não tem nada a ver com economia se você entender economia como os austríacos entendiam: a ciência da ação humana. Lembre-se o que foi dito na primeira parte do texto sobre preferências: o mundo é o que o agente acha que ele é. Se não “entra na mente” de um agente, nem mesmo a possibilidade de descobrir algo útil fazendo uma determinada ação, então ele não fará tal ação, essa “possibilidade” não existe para ele. Não faz parte daquele conjunto de percepções e valorações que são a base de toda ação. Alguns hayekianos querendo se mostrar radicalmente distante dos neoclássicos, acabaram se distanciando igualmente dos austríacos.

[21] Isso obviamente não significa que nenhuma “incerteza” é irrelevante para ação humana. Muito pelo contrário, mas justamente por ser relevante, ela se torna muito mais próxima do conceito de risco do que de qualquer outra coisa “incompreensível” ou “incaptável” pelos agentes. Para ser relevante na ação humana, o agente precisa perceber que um dado curso de ação não tem um resultado certo. Podem ocorrer vários, inclusive alguns que ele nem faz idéia, mas só os resultados que “entram na mente” do agente, aqueles que ele percebe (como a história do coração batendo), serão relevantes (levados em conta) para essa ação. Qualquer resultado não percebido, não terá a menor importância. Imaginemos então que um agente tem ciência de uma lista de resultados. Para agir com base nesses resultados (que serão os únicos que importarão para o momento da ação), ele criará uma “distribuição de probabilidades” interna, subjetiva que pode ou não ser correta. Ele dará uma “probabilidade” a cada alternativa percebida. Mas isso é muito próximo do conceito de risco (de diferente talvez esteja a idéia de que como modelos neoclássicos tratam do equilíbrio, a “distribuição de probabilidade” do individuo seja a correta, embora também existam modelos onde a distribuição é errada ou inicial e o agente vai “aprendendo” ao longo do tempo).

[22] Alguns esclarecimentos adicionais. Austríacos com “a” maiúsculo como Rothbard e Mises rejeitaram completamente a idéia de uma distribuição de probabilidade em termos de eventos humanos. Toda ação humana seria única, sob condições e percepções únicas não passiveis de repetição. O ponto é que isso tem mais a ver com a possibilidade de convergência de uma distribuição de probabilidade “chutada” pelo agente para uma distribuição de probabilidade correta, do que o processo mental (interno) que permite ao agente agir. Se um agente percebe vários resultados possíveis de uma ação, não há forma dele agir senão escalonar tal ação com base em um resultado esperado diante dos tantos resultados possíveis, ou seja, atribuir uma espécie de distribuição de probabilidades às alternativas. Tendo isso em mente, como entra a idéia de descoberta Hayekiana ou mesmo a descoberta “ao acaso”? Primeiro, o agente age, espera um dado resultado e obtém outro (outro que ele nem percebeu que podia existir). Essa é uma espécie de descoberta ao acaso (obviamente, estamos considerando que ele compreende o que aconteceu, que ele “capta” que o resultado obtido foi diferente e “não esperado”). Mas se a própria possibilidade de descoberta ao acaso é apreendida, entra na mente do agente, então obviamente é percebido algo do tipo: existe um tipo de conhecimento, de informação que eu não tinha. Mesmo sem saber do que se trata o agente precisa fazer uma valoração (para agir com base nessa nova descoberta). Se ele acha que aquilo pode trazer bons frutos, pode ajudá-lo a obter seus fins (tem lucro esperado), então ele gastará recursos na obtenção dessas informações. E o quanto ele gastará seguirá a tão criticada “regra ótima” usada pelos neoclássicos: o retorno marginal esperado terá que ser igual o custo marginal esperado, percebido pelo agente. Conforme o agente vai descobrindo mais, as suas percepções sobre beneficio das informações vão se ajustando, mas a regra de ótimo sempre se manterá. Assim também tenderá a ocorrer a convergência entre a probabilidade subjetiva e a probabilidade objetiva. Pelo sucesso ou fracasso obtido, percebido pelo agente (obviamente aqui é necessário mais coisas do que economia, como filosofia e toda uma discussão sobre mundo subjetivo do individuo e mundo objetivo, externo e a capacidade do individuo em “ligar” esses mundos).

[23] Em suma, para efeitos de ação humana, coisas não percebidas não têm a menor relevância. O agente agirá sem levar isso em conta. Depois que ele age e “tromba” com algo não percebido, supondo que ele capte, aprenda que esse algo é algo novo, não percebido, se isso lhe parecer conveniente para seus fins, o que não era percebido é internalizado e usado na “próxima ação”. Quando o agente percebe que pode ficar trombando por aí em várias coisas úteis para a busca dos seus fins, ele passa a agir para encontrar esse “conhecimento perdido” – e a lógica da ação é exatamente a do “agente maximizador” – ele buscará produzir o nível ótimo de conhecimento só com base nas suas “esperanças” de beneficio que serão corrigidas conforme ele descobre, aprende mais, seja através de novas “trombadas”, seja através de ações deliberadas, propositadas, com sua intenção sendo confirmada. Alguns hayekianos chamaram esse comportamento de “alerta empresarial” – algo como: ficar alerta, esperto em relação à oportunidades não percebidas (a trombadas úteis que você pode ter)- o que não deixa de ser uma espécie de percepção, de produção de novos conhecimentos (que seguirá a regra ótima – ficarei “atento” de forma a igualar o custo e os retornos marginais esperados). Quando a informação, o conhecimento não percebido (ou mesmo a possibilidade de se obter conhecimento desconhecido) se torna percebido, “entra na mente humana”, ou seja, se tornam relevante para a economia, a regra de otimização valerá como para quaisquer outras ações em relação a quaisquer bens.

[24] As supostas inovações hayekianas e as ênfases em coisas erradas (como a ignorância radical por si mesma, como as pessoas aprenderiam sobre as “trombadas” que tiveram etc..) levou a rachas internos na escola austríaca que ficou evidente no debate sobre “tendências equilibradoras”. De um lado, os misesianos, continuaram defendendo o núcleo montado por Mises: ação humana como axioma (verdadeiro a priori), subjetivismo radical e economia como uma ciência apriorística da ação humana. Com base nesses elementos, como pode ser percebido pela explicação acima, o problema da descoberta e do conhecimento não tem uma relevância muito maior do que qualquer outro tema econômico, muito menos o de ser “tema central” da economia como o próprio Hayek e alguns seguidores chegaram a colocar. E também não exige modificações tão profundas a ponto de se tornar o separador de austríacos e neoclássicos (o método – principalmente – e o subjetivismo bem aplicado fazem melhor essa função).

[25] Bem, por enquanto é isso. O texto já está imenso e eu cansei. Pretendia falar mais um pouco sobre conhecimento, monopólios e eficiência, mas fica para uma próxima vez. Para quem se interessar sobre o terceiro tema, já escrevi um texto para o blog sobre isso: “Eficiência Austríaca e o significado do termo voluntário”.

2 comentários:

Juliano Torres disse...

Richard, excelente o texto! Pelo texto percebi que você rejeita totalmente o Lachmann (não encontrei ninguém até hoje que não o faça). Mas você segue a linha do Kirzner ou a linha do Mario Rizzo/Gerald O'Driscoll - igualmente criticada por Kirzner?

Richard disse...

Obrigado Juliano

Eu sou daqueles austríacos tipo Hoppe, Rothbard ou mesmo Mises.... não dou muita enfase nessa questão do conhecimento. Mises ainda fala coisas q lembram essa linha, mas bem menos do q os ditos "hayekianos". Mas dos q vc citou, sou mais o Kirzner mesmo (ele mantém a coisa no nível adequado de "radicalismo" digamnos assim). Mas, mais que o Kirzner, acho o próprio Hayek mais interessante.... eu ia falar do O´Driscoll e Rizzo qdo falasse de eficiência (a negação desse conceito em termos de "sociedade"), mas, como disse cansei...hehehehe