segunda-feira, 21 de julho de 2008

Celso Amorim, Goebbels e Lênin

Talvez poucas coisas no mundo sejam tão inúteis quanto negociações de abertura comercial como Doha e tantas outras organizadas pela OMC. Não só porque não se chegar a lugar nenhum (em geral), mas principalmente porque a premissa fundamental de toda negociação é um daqueles erros que beira o “barbarismo”: a idéia de que livre comércio é um jogo de soma zero – se um ganha, outro tem que perder. Aí surge toda aquela besteirada de “contrapartida” (se eu abro, isso é péssimo, tenho que ser recompensado, você tem que abrir também). Obviamente muitos lá (tirando alguns patetas latino-americanos talvez) sabem que no fundo não é nada disso. A idéia de livre comércio como sendo maléfica porque destruiria empregos, industrias etc..etc..que na verdade queremos um “livre comércio justo, igual” é a forma “oficial” de defender os privilégios de grupos internos fortíssimos.

Além de tudo isso, se algum país realmente quer livre comércio, é muito simples. Se abra completamente de forma unilateral. Esse país ganharia muito mais se os demais países também se abrissem, mas já que isso não ocorre, que então ele “ganhe menos”, mas ganhe (já que a pior política é se manter fechado). Um país que se abrisse mais, permitiria que fatores de produção fossem alocados de uma maneira melhor do que com todas as barreiras, permitindo assim um ganho de produtividade e uma melhoria de bem estar. Depois que a máscara do ódio contra o livre comércio cai, eles obviamente arrumam outra desculpa: dizem que não é nada disso, livre comércio é muito bom sim, mas que não se abrem para ter alguma “barganha” contra o outro país, para forçá-lo a se abrir também e assim o ganho ser maior. Isso seria motivo de risos se não tivessem por trás do argumento, vários economistas com certo renome (geralmente com uso de teoria dos jogos). A única maravilha que tal política produz é justamente ninguém se abrir (e as tão importantes negociações ficarem emperradas).

Mas, pelo menos por enquanto,a grande noticia da próxima reunião da OMC sobre liberação comercial foi o “nosso” ministro das relações exteriores, Celso Amorim. Ele acusou os países ricos de se comportarem como Goebbels (ministro da propaganda nazista) durante as negociações anteriores de tratados comerciais. Leia a notícia na íntegra aqui

Como é mais provável ver a Coréia do Norte campeã da próxima copa do mundo do que o senhor Celso Amorim ser realmente favorável à qualquer livre comércio que mereça o adjetivo de "livre", eu perguntaria: que personagem histórico serviria para descrever a atuação do ministro? Pinóquio não, pois além do nariz do ministro não crescer, o Pinóquio não merece. Talvez Lênin, revolucionário russo, companheiro de Goebbels no hall de “assassinos do século XX”, que sugeriu como estratégia acusar seus inimigos de fazerem exatamente o que você próprio faz. Sem dúvida, cai muito melhor do que o Pinóquio.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cara, você é só mais um classe-média-paulistano, leitor ávido do Estadão e Miriam Leitão, não?

Richard disse...

Não. Bem, eu acho q sou só mais um classe-média... mas não sou paulistano e tbm não sou leitor avido do estadão (embora seja disparado o melhor jornal de gde circulação deste país). Ah, e tbm não sou leitor avido de miria leitão (mas eu aposto q ela deve ser infinitamente melhor q os "comentaristas" q vc gosta de ler).