quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Puzzle "econômico" sobre presentes

Lembro de ter visto isso em algum lugar do passado no blog do David Friedman, filho do grande Milton Friedman, e agora com o natal me lembrei de postar aqui.

Imagine que você queira dar um presente (de um determinado valor pré-fixado) para outra pessoa. Supostamente você quer fazer a outra pessoa feliz. Teríamos então o seguinte problema econômico: gerar a maior utilidade possível para outra pessoa (na verdade seria para você, mas vamos supor que a sua seja igual a do presenteado), dado um limite de dinheiro pré-fixado (o fato do dinheiro ser pré-fixado é só para facilitar o problema).

Bem, quem já comprou presentes sabe o quanto é difícil realmente agradar o presenteado (a pessoa quer um CD, você compra um livro, quer uma camiseta, você compra calça e por aí vai). Do ponto de vista puramente econômico (descrito pelo problema acima) qual seria a solução? Obviamente seria dar o valor pré-fixado em dinheiro para a pessoa como presente. Você comprar o presente jamais gerará mais utilidade (bem estar) do que ela própria usando, digamos os R$50,00 que você ia gastar no presente, afinal, ela sabe melhor que você as preferências dela e certamente, como você, o objetivo dela também é maximizá-las. O máximo de bem estar que você poderia gerar seria comprar exatamente o que ela compraria com os R$50,00 adicionais, mas a probabilidade de errar é grande, logo dar o dinheiro jamais seria pior do que dar o presente.

Apesar de ser “racional economicamente”, dar dinheiro no lugar de presentes não só não é habitual como é considerado “deselegante”. Acho que isso acontece porque um presente demonstra de uma forma mais efetiva que nos importamos com o presenteado. O tempo que gasto escolhendo, pesquisando, tentando adivinhar o que o outro gosta dá uma medida da atenção que dispenso ao outro, do quanto estou disposto a “gastar” do meu tempo, da minha vida para fazer o outro feliz e que não ocorreria caso eu simplesmente chegasse e desse R$50,00 na mão do sujeito.

Obviamente esse tipo de demonstração é cabível em uma relação de amizade, de namoro, onde o “se importar realmente com o outro” é algo a ser demonstrado (as famosas provas). Crianças, por exemplo, não dão a mínima se o tio distante, que só vem pro natal (ou aniversário), se importa ou não com elas, querem saber do presente em si, por isso fica até melhor se o tio leva o moleque para comprar ou dá o dinheiro da mão e deixa ele escolher. Do lado oposto, em geral, pais e familiares próximos não precisam demonstrar que se importam com os filhos através da compra de um presente (como na relação de amizade ou namoro). O Presente em si, nesse tipo de relação, cumpre o papel de simplesmente fazer o filho feliz (e obviamente os pais felizes), por isso muitos pais também dão o dinheiro para o filho escolher ou vão comprar com o moleque (eles não precisam gastar tempo, adivinhar as preferências do filho para demonstrarem que se importam com ele). Teríamos aí uma espécie de “regra”: quanto mais próxima a relação entre os presenteados, menor a necessidade de demonstração de que um se importa com o outro, logo mais vantajosa a idéia de se dar dinheiro no lugar de presentes. Quanto mais distantes, a vantagem se inverte.

Enfim, achei este “puzzle” interessante. Se alguém tiver uma explicação diferente é só deixar nos comentários ou, se for muito boa, pode até escrever um paper :P

Um comentário:

Luiz disse...

Eu conheço um cara que sempre deixou claro que só recebe dinheiro como presente, hehehe.